sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010
A mulher, a mãe, a esposa
Na minha opinião a maternidade é o maior presente que uma mulher pode se dar, uma experiência única, transformadora e enriquecedora. Só que infelizmente (ou felizmente?) o mundo não para quando nos tornamos mães, permitindo que possamos curtir e nos adaptar a maternidade. Acredito que muitas como eu tinham a suprema vontade de que, ao voltar da maternidade, o mundo se resumisse a você e seu bebê... mas como eu disse não ocorre bem assim.
A maternidade nos coloca às voltas com uma palavrinha de que quando adolescentes (pelo menos eu) fugimos muito: equilíbrio, aliás eu acredito que essa seja uma das palavras chave da maternidade... é preciso aceitar e lidar com o fato de que sim, seu bebê nasceu mas o mundo continua a girar. Você ainda tem necessidades e vontades como tinha antes, seu marido continua sendo um homem que precisa se você e você também precisa dele, e somado a tudo isso você precisa cuidar do seu filhote...
É fácil? Não mesmo... mas basta um pouco de boa contade, muita habilidade para conseguir como uma boa malabarista, dar conta do recado. Sim mamãezinha fresca você pode fazer as unhas, você precisa curtir o marido, você vai querer comprar uma blusa nova... e não, isso não é crime!
Demorei um tempo para entender que o fato de ser totalmente devotada ao meu filho não me tira a vontade de estar bonita, me vestir bem, conversar com as amigas... filhos complementam a vida, ou seja vida não se resume a eles, mas sim neles. Como é bom poder olhar as minhas mãos e ver as unhas feitas, a pele macia... ter os cabelos bem penteados... só que realmente no começo a gente fica parecendo um espantalho...kkk... de pijama o dia todo, nem lembra que tem cabelo e unhas, para que servem mesmo? para roer! só pode ser!....kkk
O primeiro mês com um bebê tende a ser complicado pelos motivo que já expliquei acima, e realmente eu acho que dedicar-se ao seu filho nesse momento é mais simples e indicado... e nesse momento pode parecer que o mundo vai acabar, que nunca mais você voltará a ser mulher, que será eternamente a mãe do bebê... mas fique calma, a melhor coisa sobre o primeiro mês é que ele acaba...kkk... e com o tempo você e seu bebê irão se entender, ele irá se entender com o mundo, e você poderá voltar a fazer as unhas, olhar-se no espelho, virar mulher de novo.
E embora seja difícil temos sempre que nos policiar, porque marido merece a nossa atenção, os amigos tb e nós tb... e dar essa atenção a todos é benéfico para nós e acima tudo para o nosso bebê que tem uma mãe mais alegre, leve e feliz!
PS.: Peço desculpas se o post ficou confuso... foi interrompido algumas "par" de vezes...kkkk
quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010
Cama compartilhada

Existem vantagens comprovadas em estudos que demostram a maior adesão a amamentação visto que a prática de cama compartilhada facilita muito as mamadas noturnas evitando o deslocamento da mamães até o berço e permitindo amamentar na posição deitada trazendo maior conforto para ambos.
Outra grande vantagem da cama compartilhada citada nos estudos é a diminuição de incidência da síndrome de morte súbita que tem maior freqüência em bebês menores de um ano. A mãe estando alerta aos menores movimentos do bebê corrige seu posicionamento durante o sono.
- Jamais fazer a cama compartilhada quando um dos pais faz uso de álcool, drogas e medicações que causam sonolência e extrema exaustão ou que causam tontura.
- É sempre mais seguro colocar o bebê para dormir entre a mãe e a parede ou grade de segurança, a mãe que normalmente é mais alerta, acordará ao menor sinal de necessidade do bebê, o que não acontece com os papais que tem o sono mais profundo.
- Mães com sono pesado não devem fazer a cama compartilhada.
- O uso excessivo de cobertor e travesseiros extras devem ser minimizados uma vez que podem obstruir o fluxo de ar para o bebê. Colchões de água são totalmente contra-indicados na prática da cama compartilhada.
- Evitar espaços entre a cama e parede, assim não há perigo de queda do bebê. Evitar grades com grandes lacunas e sofás já que o bebê pode colocar o rosto entre suas almofadas.
- Mães muito obesas ou com a mama muito grande devem ter o correto posicionamento para amamentar deitadas, deixando sempre uma área livre para o bebê respirar.
- Com o passar do tempo e desenvolvimento do bebê novas técnicas de segurança devem ser desenvolvidas pelos pais visto que a partir de certa idade o escalar, engatinhar e rolar tornam-se freqüentes.
Pessoalmente gosto muito da prática. Nossa experiência foi um tanto diferente por causa do nascimento prematuro da pequena e a maior freqüência de amamentação ficando com intervalos religiosos de 2 horas para aumentar o ganho de peso e minimizar o refluxo. Após a estadia na UTI somente tivemos o contato mãe-bebê exclusivo no segundo mês, que foi assim por dizer exaustivo. Logo adotamos a prática da cama compartilhada, tomando todas as medidas de segurança.
REFERÊNCIAS:
McKenna J; Mosko S., Richard C., Bedsharing promotes breastfeeding, Pediatrics, 100(2 Pt 1):214-9 1997
McKenna J; Mosko S; Richard C; Drummond S; Hunt L; Cetel MB; Arpaia J, Experimental Studies of infant-parent co-sleeping: mutual physiological and behavioral influences and their relevance to SIDS (sudden infant death syndrome), Early Hum Dev, 38(3):187-201. 1994 Sep 15).
segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010
6 meses de AME... ainda lembro!
O meu filho completou 6 meses de amamentação exclusiva (na verdade qse, já que ele fará 6 em dois dias, mas começamos hj para o papai tb curtir esse momento, pois estará trabalhando e depois de tudo que passamos não seria justo ele perder esse momento impar da nossa vida em familia)... yeahhh VIVA O ALEITAMENTO MATERNO EXCLUSIVO!!!
Fomos para casa, compramos uma bomba manual, e inultimente eu passei a noite tentado desempedrar o leite, o Arthur não conseguia mamar, pq o leite não saia, e dóia muito, muito, muito qdo ele sugava. dei um peito só... Ao amanhecer fomos ao banco de leite de um hospital que na verdade, era na UTI Neo e elas foram muito gentis em me ajudar, fizeram massagens e ordenharam pra mim, já que eu não sabia fazer isso!
Uma semana depois, lá estava eu dinovo, desta vez no hospital que o Arthur nasceu, fomos ao banco de leite mesmo, e as gentis enfermeiras me ajudaram novamente! Me ensinaram a massagear e ordenhar manualmente... pra garantir aluguei uma bomba por um mês e foi minha salvação!!
Com o tempo aprendi a lidar com os empedramentos... e conseguimoSS!!! Demos ao nosso filho o melhor alimento pra ele durante 6 meses, até hj me sinto tão feliz por isso!!
Usei o plural pq meu marido foi de fundamental importância já que ele me deu todo o apoio qdo precisei... a minha irmã tb, esteve ao meu lado e deu a primeira mamadeira de leite materno (a bombinha manual pq não tinhamos comprado mamadeira) pra ele qdo não consegui amamentar de tanta dor (desesperador) e Tiago tentava inutilmente me ajudar a tirar o leite. Ainda bem que tinha leite congelado que eu estava guardando para doar, doei para o meu próprio filho!
E qdo sugeriam ou perguntavam pq eu não dava suquinho, aguinha, chazinho, papinha, sopinha... que o menino precisava comer... blá blá blá... fico pensando pq usam despretenciosamente, o qse inofensivo INHO qdo vão sugerir esse tipo de coisa. Eu sempre respondi com um belo sorriso no rosto e toda classe que tenho (se é que tenho) pq eu acredito no aleitamento exclusivo até os 6 meses, além disso ele está lindo, forte e saudável, é só olhar pra ele!!
Bom, a sensação é de dever cumprido! E se vc que está lendo estas linhas ainda não teve filho, acredite... amamentar é um momento ímpar. Qdo os olhos se encontram parece que emana amor para todos os lados, e ainda ganha sorrisos para acabar de vez com seu mau humor e tb te agradecendo por aquele momento de segurança, afeto e cumplicidade que os homens, infelizmente, nunca saberão... pronto, já valeu todo o esforço!
Ao terminar de refazer essas linhas, penso comigo... SIM... farei tudo denovo pq vale muito a pena!
sábado, 13 de fevereiro de 2010
Enquanto o sono não vem... Enxoval
Com 5 meses estava tudo pronto, superstição ou não, com 7 meses montei o berço e ela nasceu!
Mas, de qualquer forma, esses dias, quase um ano e meio depois, me coloquei a empacotar tudo para doar. Muita coisa e pouco espaço na casa nova, depois, achei injusto com Bea (a futura prole e não, ainda não estou grávida!) usar tudo que foi de Saroca. Quando for o tempo Bea virá e ganhará seu próprio enxoval!
Enfim, me desfiz de tudo. E qual não foi minha surpresa quando olhei para o pacote e vi punhados e punhados de roupas que nunca foram usadas. Muitos vestidinhos, toucas, luvinhas, sapatinhos que ela mal chegou usar, alguns usados uma única vez.
E a lista não para por ai, brinquedos, chocalhos, mordedores, trocador de fralda, meia, meia calça, fitinhas de cabelo, perfumes, lençol de carrinho, fronhas, mosqueteiro. Jesus!!! Quanta coisa mal usamos!
Por isso no segundo filho pretendo fazer tudo ponderadamente.
Estive até planejando em não saber o sexo, assim poderei me conter a comprar as coisas necessárias. Mas daí a segurar a ansiedade já é outro assunto a ser trabalhado no âmago.
De certa forma aprendemos com a primeira gravidez.
Agora já sei:
- Quais as melhores lojas para comprar e quais as peças chaves para se ter;
- Que aquele pijama cheio de rendinhas e treleles que levei para maternidade nunca mais sairá da gaveta;
- Que aquelas pantufas pomposas ficarão para sempre no armário;
- Que paninho de boca nunca é demais;
- Que babadores de pano sem forro são em suma inúteis;
- Que um sutiã de amamentação não dá para o cheiro;
- Que a cinta no pós parto é maravilhosa;
- Que bebês RNs, não usam sapatos e principalmente se nascerem no inverno e você só comprou macacão de pezinho não tendo como usar sapatinhos;
- Que macacão de pezinho não adianta muito para prolongar o uso pois o bebê vai perdê-lo no cavalo e não nos pés;
- Que não fazer chá de bebê faz muita falta;
- Que cueiro é tudo de bom na hora do choro "rebelde sem causa";
- Que o balde genérico substitui perfeitamente o Tummy tub!
- Que se você pretende amamentar 6 meses exclusivo não é necessário 5 mamadeiras;
- Que por mais que faça cálculos de quantas fraldas vão ser gastas sempre vai faltar;
- Que o pentinho baratinho é mil vezes melhor que aquelas escovinhas de cabelo, caras, lindas e inúteis!
- Que sling é tudinho de bom;
- Que o carrinho grande e pesado será aposentado rapidinho e trocado por um compacto de passeio;
- Que o bebê conforto é útil por demais da conta;
- Que um Kit berço é suficiente;
- Que a cômoda para ser feita de trocador deve ser bem larga;
- Que o móbile é um ótimo investimento;
- Que para o banho de sol não é necessário roupinha;
- Que aquele berço tipo desmontável também é um ótimo investimento;
- Que RN não precisa de cadeirão de alimentação;
- Que a poltrona de amamentação do quarto é inútil para quem quer fazer cama compartilhada;
- Que as conchas de preparação para amamentação realmente funcionam;
- Que absorvente de seios são necessários, uma caixa só não é suficiente, e o marido vai errar quando você mandá-lo comprar na farmácia, vai trazer Sempre Livre (rsrsrsrsr);
- Que meias brancas são as melhores pois combinam com qualquer roupa;
- Que somente um cobertor não é suficiente pois golfos virão;
- Que a bomba de ordenha eletrônica te poupará da tendinite;
Enfim, por hora é o que lembro... e o sono está chegando.
Vou correr para o ladinho de minha prole amada, dormir agarradinha, bem verdade, que atire a primeira pedra quem não adora cama compartilhada... mas isso é assunto para um outro post.
Beijocas para as queridas!!
sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010
Numa tarde ensolarada pré alta... o primeiro body!
Vou estrear...
quarta-feira, 10 de junho de 2009
Cólica- por Dr. Gonzalez
Tipicamente, o choro acontece sobretudo à tarde, de seis às dez, a hora crítica. Às vezes de oito à meia-noite, às vezes de meia-noite às quatro, e alguns parecem que estão a postos vinte e quatro horas por dia. Costuma começar depois de duas ou três semanas de vida e costuma melhorar por volta dos três meses (mas nem sempre).
Quando a mãe amamenta e o bebê chora de tarde, sempre há alguma alma caridosa que diz: “Claro! De tarde seu leite acaba!”. Mas então, por que os bebês que tomam mamadeira têm cólicas? (a incidência de cólica parece ser a mesma entre os bebês amamentados e os que tomam mamadeira). Por acaso há alguma mãe que prepare uma mamadeira de 150 ml pela manhã e de tarde uma de 90 ml somente para incomodar e para fazer o bebê chorar? Claro que não! As mamadeiras são exatamente iguais, mas o bebê que de manhã dormia mais ou menos tranquilo, à tarde chora sem parar. Não é por fome.
“Então, por que minha filha passa a tarde toda pendurada no peito e por que vejo que meus peitos estão murchos?” Quando um bebê está chorando, a mãe que dá mamadeira pode fazer várias coisas: pegar no colo, embalar, cantar, fazer carinho, colocar a chupeta, dar a mamadeira, deixar chorar (não estou dizendo que seja conveniente ou recomendável deixar chorar, só digo que é uma das coisas que a mãe poderia fazer). A mãe que amamenta pode fazer todas essas coisas (incluindo dar uma mamadeira e deixar chorar), mas, além disso, pode fazer uma exclusiva: dar o peito. A maioria das mães descobrem que dar de mamar é a maneira mais fácil e rápida de acalmar o bebê (em casa chamamos o peito de anestesia), então dão de mamar várias vezes ao longo da tarde. Claro que o peito fica murcho, mas não por falta de leite, mas sim porque todo o leite está na barriga do bebê. O bebê não tem fome alguma, pelo contrário, está entupido de leite.
Se a mãe está feliz em dar de mamar o tempo todo e não sente dor no mamilo (se o bebê pede toda hora e doem os mamilos, é provável que a pega esteja errada), e se o bebê se acalma assim, não há inconveniente. Pode dar de mamar todas as vezes e todo o tempo que quiser. Pode deitar na cama e descansar enquanto o filho mama. Mas claro, se a mãe está cansada, desesperada, farta de tanto amamentar, e se o bebê está engordando bem, não há inconveniente que diga ao pai, à avó ou ao primeiro voluntário que aparecer: “pegue este bebê, leve para passear em outro cômodo ou na rua e volte daqui a duas horas”. Porque se um bebê que mama bem e engorda normalmente mama cinco vezes em duas horas e continua chorando, podemos ter razoavelmente a certeza de que não chora de fome (outra coisa seria um bebê que engorda muito pouco ou que não estava engordando nada até dois dias atrás e agora começa a se recuperar: talvez esse bebê necessite mamar muitíssimas vezes seguidas). E sim, se pedir para alguém levar o bebê para passear, aproveite para descansar e, se possível, dormir. Nada de lavar a louça ou colocar em dia a roupa para passar, pois não adiantaria nada.
Às vezes, acontece de a mãe estar desesperada por passar horas dando de mamar, colo, peito, colo e tudo de novo. Recebe seu marido como se fosse uma cavalaria: “por favor, faça algo com essa menina, pois estou ao ponto de ficar doida”. O papai pega o bebê no colo (não sem certa apreensão, devido às circunstâncias), a menina apoia a cabecinha sobre seu ombro e “plim” pega no sono. Há várias explicações possíveis para esse fenômeno. Dizem que nós homens temos os ombros mais largos, e que se pode dormir melhor neles. Como estava há duas horas dançando, é lógico que a bebê esteja bastante cansada. Talvez precisasse de uma mudança de ares, quer dizer, de colo (e muitas vezes acontece o contrário: o pai não sabe o que fazer e a mãe consegue tranquilizar o bebê em segundos).
Tenho a impressão (mas é somente uma teoria minha, não tenho nenhuma prova) de que em alguns casos o que ocorre é que o bebê também está farto de mamar. Não tem fome, mas não é capaz de repousar a cabeça sobre o ombro de sua mãe e dormir tranqüilo. É como se não conhecesse outra forma de se relacionar com sua mãe a não ser mamando. Talvez se sinta como nós quando nos oferecem nossa sobremesa favorita depois de uma opípara refeição. Não temos como recusar, mas passamos a tarde com indigestão. No colo da mamãe é uma dúvida permanente entre querer e poder; por outro lado, com papai, não há dúvida possível: não tem mamá, então é só dormir.
Minha teoria tem muitos pontos fracos, claro. Para começar, a maior parte dos bebês do mundo estão o dia todo no colo (ou carregados nas costas) de sua mãe e, em geral, descansam tranquilos e quase não choram. Mas talvez esses bebês conheçam uma outra forma de se relacionar com suas mães, sem necessidade de mamar. Em nossa cultura fazemos de tudo para deixar o bebê no berço várias horas por dia; talvez assim lhes passemos a idéia de que só podem estar com a mãe se for para mamar.
Porque o certo é que a cólica do lactente parece ser quase exclusiva da nossa cultura. Alguns a consideram uma doença da nossa civilização, a consequência de dar aos bebês menos contato físico do que necessitam. Em outras sociedades o conceito de cólica é desconhecido. Na Coreia, o Dr. Lee não encontrou nenhum caso de cólica entre 160 lactentes. Com um mês de idade, os bebês coreanos só passavam duas horas por dia sozinhos contra as dezesseis horas dos norteamericanos. Os bebês coreanos passavam o dobro do tempo no colo que os norteamericanos e suas mães atendiam praticamente sempre que choravam. As mães norteamericanas ignoravam deliberadamente o choro de seus filhos em quase a metade das vezes.
No Canadá, Hunziker e Barr demonstraram que se podia prevenir a cólica do lactente recomendando às mães que pegassem seus bebês no colo várias horas por dia. É muito boa idéia levar os bebês pendurados, como fazem a maior parte das mães do mundo. Hoje em dia é possível comprar vários modelos de carregadores de bebês nos quais ele pode ser levado confortavelmente em casa e na rua. Não corra para colocar o bebê no berço assim que ele adormecer; ele gosta de estar com a mamãe, mesmo quando está dormindo. Não espere que o bebê comece a chorar, com duas ou três semanas de vida, para pegá-lo no colo; pode acontecer de ter “passado do ponto” e nem no colo ele se acalmar. Os bebês necessitam de muito contato físico, muito colo, desde o nascimento. Não é conveniente estarem separados de sua mãe, e muito menos sozinhos em outro cômodo. Durante o dia, se o deixar dormindo um pouco em seu bercinho, é melhor que o bercinho esteja na sala; assim ambos (mãe e filho) se sentirão mais seguros e descansarão melhor.
A nossa sociedade custa muito a reconhecer que os bebês precisam de colo, contato, afeto; que precisam da mãe. É preferível qualquer outra explicação: a imaturidade do intestino, o sistema nervoso... Prefere-se pensar que o bebê está doente, que precisa de remédios. Há algumas décadas, as farmácias espanholas vendiam medicamentos para cólicas que continham barbitúricos (se fazia efeito, claro, o bebê caía duro). Outros preferem as ervas e chás, os remédios homeopáticos, as massagens. Todos os tratamentos de que tenho notícia têm algo em comum: tem de tocar no bebê para dá-lo. O bebê está no berço chorando; a mãe o pega no colo, dá camomila e o bebê se cala. Teria seacalmado mesmo sem camomila, com o peito, ou somente com o colo. Se, ao contrário, inventassem um aparelho eletrônico para administrar camomila, ativado pelo som do choro do bebê, uma microcâmera que filmasse o berço, um administrador que identificasse a boca aberta e controlasse uma seringa que lançasse um jato de camomila direto na boca... Acredita que o bebê se acalmaria desse modo? Não é a camomila, não é o remédio homeopático! É o colo da mãe que cura a cólica.
Taubman, um pediatra americano, demonstrou que umas simples instruções para a mãe (tabela 1) faziam desaparecer a cólica em menos de duas semanas. Os bebês cujas mães os atendiam, passaram de uma média de 2,6 horas ao dia de choro para somente 0,8 horas. Enquanto isso, os do grupo de controle, que eram deixados chorando, choravam cada vez mais: de 3,1 horas passaram a 3,8 horas. Quer dizer, os bebês não choram por gosto, mas porque alguma coisa está acontecendo. Se são deixados chorando, choram mais, se tentam consolá-los, choram menos (uma coisa tão lógica! Por que tanta gente se esforça em nos fazer acreditar justo no contrário?).
Tabela 1 – Instruções para tratar a cólica, segundo Taubman (Pediatrics 1984;74:998)
1- Tente não deixar nunca o bebê chorando.
2- Para descobrir por que seu filho está chorando, tenha em conta as seguintes possibilidades:
a- O bebê tem fome e quer mamar.
b- O bebê quer sugar, mesmo sem fome.
c- O bebê quer colo.
d- O bebê está entediado e quer distração.
e- O bebê está cansado e quer dormir.
3- Se continuar chorando durante mais de cinco minutos com uma opção, tente com outra.
4- Decida você mesma em qual ordem testará as opções anteriores.
5- Não tenha medo de superalimentar seu filho. Isso não vai acontecer.
6- Não tenha medo de estragar seu filho. Isso também não vai acontecer.
No grupo de controle, as instruções eram: quando o bebê chorar e você não souber o que está acontecendo, deixe-o no berço e saia do quarto. Se após vinte minutos ele continuar chorando, torne a entrar, verifique (um minuto) que não há nada, e volte a sair do quarto. Se após vinte minutos ele continuar chorando etc. Se após três horas ele continuar chorando, alimente-o e recomece.
As duas últimas instruções do Dr. Taubman me parecem especialmente importantes: é impossível superalimentar um bebê por oferecer-lhe muita comida (que o digam as mães que tentam enfiar a papinha em um bebê que não quer comer); e é impossível estragar um bebê dando-lhe muita atenção. Estragar significa prejudicá-lo. Estragar uma criança é bater nela, insultá-la, ridicularizá-la, ignorar seu choro. Contrariamente, dar atenção, dar colo, acariciá-la, consolá-la, falar com ela, beijá-la, sorrir para ela são e sempre foram uma maneira de criá-la bem, não de estragá-la.
Não existe nenhuma doença mental causada por um excesso de colo, de carinho, de afagos... Não há ninguém na prisão, ou no hospício, porque recebeu colo demais , ou porque cantaram canções de ninar demais para ele, ou porque os pais deixaram que dormisse com eles. Por outro lado, há, sim, pessoas na prisão ou no hospício porque não tiveram pais, ou porque foram maltratados, abandonados ou desprezados pelos pais. E, contudo, a prevenção dessa doença mental imaginária, o estrago infantil crônico , parece ser a maior preocupação de nossa sociedade. E se não, amiga leitora, relembre e compare: quantas pessoas, desde que você ficou grávida, avisaram da importância de colocar protetores de tomada, de guardar em lugar seguro os produtos tóxicos, de usar uma cadeirinha de segurança no carro ou de vacinar seu filho contra o tétano? Quantas pessoas, por outro lado, avisaram para você não dar muito colo, não colocar para dormir na sua cama, não acostumar mal o bebê?
Lee K. The crying pattern of Korean infants and related factors. Dev Med Child Neurol. 1994; 36:601-7
Hunziker UA, Barr RG. Increased carrying reduces infant crying: a randomized controlled trial. Pediatrics 1986;77:641-8
Taubnan B. Clinical trial of treatment of colic by modification of parent-infant interaction. Pediatrics 1984;74:998-1003
Do livro Un regalo para toda la vida- Guía de la lactancia materna,Carlos González
Texto copiado da GVA.
Postado por Pipoca na G1F