segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Parto tecnológico: um show de horrores!

Uma fêmea de mamífero, quando prestes a parir, geralmente se isola, procura um lugar tranquilo, silencioso e de pouca luz. Nesse ambiente, o parto se dá de forma natural. Mas, o que ocorre com as fêmeas da espécie humana? Lamentavelmente, o parto tecnológico, em ambiente hospitalar, barulhento, frio, bem iluminado e geralmente como resultado de um parto cesáreo (previamente agendado). Imagino como as crianças são muito mal recebidas neste mundo. De repente, todo o oposto da segurança e quietude uterinas irrompem em poucos segundos. É um choque inimaginável. Parturientes dopadas, médicos apressados, pais fotógrafos / cinegrafistas, sondas no nariz, aquecedores artificiais, gente estranha, bactérias superpoderosas e... nada da mãe, dormindo ou cheia de dor.

O primeiro vínculo do ser é o ventre materno. O estresse, a alimentação e as emoções atuam diretamente no feto. Para seu bem ou não. O segundo vínculo inicia-se no parto e vai até os três meses de vida, no qual a relação de intimidade e proximidade entre mãe e recém-nascido (RN) é fundamental pelo resto da vida. Não é à toa que os peitos ficam em uma localização tal que, quando mamando, a criança fica a a 10 ou 15 cm do rosto da mãe. Isso tem uma razão de ser: o RN reconhece apenas rostos que estão suficientemente pertos. A proximidade é fundamental, particularmente no momento da amamentação, instante de troca emocional e doação amorosa, além da nutrição completa do corpo. Há outros vínculos mais, com ambiente familiar, social, emocional e intelectual, que serão abordados posteriormente.
Não me espanta o número de mulheres que chegam às maternidades e não têm mais dilatação do colo uterino, "impedindo" o parto vaginal. É o parto tecnológico, o ambiente hospitalar (fisica e emocionalmente inadequado) e a programação mental a qual as futuras mamães são cruelmente submetidas durante o pré-natal que fazem isso. Aí, então, tome cesariana. E tome anestésico. E tome analgésico. E tome soro. E tome curativo. E tome criança separada da mãe. E tome mamadeira. E tome um show de horrores! Depois, a grande desculpa: os peitos secaram, não têm leite, estão rachados, inflamados, infectados. Não me admira que falte leite, diante dessa sequência absolutamente antinatural de gestar e dar a luz. Ou será que que as mamães têm medo que suas mamas despenquem ao oferecer seu leite ao seu rebento? Precisamos voltar à natureza, sábia demais, pois gestação e parto bem conduzidos e naturais (o máximo possível) podem ser a diferença entre um ser humano futuramente equilibrado ou inadequado pelo resto vida.

 
Postado pode Rose*Lisa*Sarah Domingues em G1F - orkut - 05/09/2011

domingo, 31 de julho de 2011

Visitas a recém nascidos requerem etiqueta especial

O nascimento de um bebê é sinônimo de vida nova e confraternização, porém, esse momento especial requer atenção de parentes e amigos em relação às primeiras visitas. A pediatra Vera Lúcia Jornada Krebs, do Hospital das Clínicas da FMUSP, ligado à Secretaria de Estado da Saúde, deixa claro que o recém nascido não é uma atração turística, precisa ficar em um ambiente tranquilo e indica os cuidados para que a visita não seja deselegante e prejudicial.

Muitas pessoas exageram no ‘carinho’ e acabam dando pequenos apertões na bochecha, beijos e toques não muito delicados nas mãozinhas. O que eles não sabem é que essas atitudes são inadequadas, pois podem trazer problemas ao recém nascido.

A pediatra indica que a primeira visita na maternidade seja limitada a parentes próximos, como o pai, avós e irmãos, pois é um momento de recuperação da mãe e maior atenção à vida do bebê.

“As primeiras 24 horas do recém nascido são bastante delicadas, pois é um período de estabilização, portanto um descuido em uma visita pode acarretar grandes problemas à saúde do bebê”, afirma.

Segundo a pediatra, os primeiros cuidados ao visitar a criança na maternidade, devem ser com a higiene das mãos. “No berçário do HC, é feito um controle de higiene em quem fará a visita. É checado se a pessoa está com algum resfriado, ou outro tipo de infecção”, explica, acrescentando que também é dado um auxílio sobre a maneira correta de lavar as mãos.

A médica também alerta para que os celulares sejam desligados no momento da visita, pois o barulho pode incomodar. As câmeras fotográficas e filmadoras também são incômodas, pois a luz do flash pode causar desconforto para a criança ou despertá-la, caso esteja dormindo.

Dependendo do espaço físico do quarto em que a mãe estiver, o ambiente pode ficar pequeno para visitas. “As visitas devem ser organizadas para que não forme uma aglomeração em volta do bebê. Esse tipo de ocasião favorece contágios e excesso de barulho, e isso pode causar um estresse ao recém nascido”, explica.
 
A nicotina é uma substância extremamente prejudicial à vida do recém-nascido. De acordo com o pneumologista Joaquim Rodrigues, do Instituto da Criança, o contato do bebê com a fumaça do cigarro o expõe a uma probabilidade dez vezes maior a adquirir uma pneumonia aguda, e ao aparecimento de um fenômeno chamado de hiperresponsividade brônquica – uma resposta exagerada do pulmão a um agravo externo, que acontece quando a criança tem uma maior sensibilidade à infecções respiratórias – como bronquite, renite e otite.
“Quando a criança aspira os produtos da fumaça do cigarro, automaticamente os mecanismos de defesa do pulmão são afetados. O sistema respiratório sofre maior dificuldade em expulsar substâncias prejudiciais, provocando o estreitamento dos brônquios, por onde passa o ar”, explica o especialista, acrescentando que essas deficiências respiratórias se estendem para a vida adulta.
O pneumologista destaca que as substâncias do cigarro ficam impregnadas em roupas e mãos dos fumantes, e os resíduos que permanecem são tão prejudiciais quanto a própria fumaça. “O ideal é que o fumante não faça o uso do cigarro no dia da visita”, alerta. Joaquim esclarece que as pneumonias mais graves acontecem no primeiro ano de vida e o risco de morte por pneumonia em um bebê com semanas de vida é ainda maior. “Em 25% dos casos em que bebês apresentam dificuldades respiratórias, em crises de asmas e bronquites, são ocasionadas por reflexos da exposição a fumaça do cigarro”.

Na maternidade ou em casa, a pediatra Vera Krebs alerta que o tempo de visita deve ser curto, pois tanto a mãe quanto o recém nascido precisam de descanso e de um ambiente silencioso e calmo. Caso a mãe ofereça algum agrado à visita, como um simples café ou uma xícara de chá, é adequado não aceitar, pois ela não deve ter nenhum tipo de trabalho além de cuidar do bebê.
Assim que a mãe recebe alta, Vera sinaliza que os cuidados na maternidade devem ser mantidos em casa. Ela deve ser orientada sobre os cuidados com o filho, tendo oportunidade de tirar todas as dúvidas junto ao pediatra e equipe multiprofissional, a respeito dos cuidados com o recém-nascido. As recomendações também devem ser dadas por escrito

Na lista, a pediatra sugere: “o recém-nascido é extremamente frágil, por isso ele não pode ser apertado, ou pular de colo em colo. Beijar o bebê, além de deselegante, é prejudicial”, observa, acrescentando que a criança em idade escolar é grande transmissora de bactérias e vírus, por isso é aconselhável que o contato da criança com o bebê seja reduzido.
Além do recém nascido, a mamãe também precisa de cuidados e tranquilidade, pois, neste período ela está frágil e com o sono em desordem. “É inconveniente aparecer à noite e sem ligar antes para avisar. Interromper o descanso da mãe e seu bebê pode sobrecarregá-la”, afirma.
A pediatra acredita que tomados estes cuidados, a visita pode se tornar um momento especial para a mãe e seu filho.

 
Postado por Rose*Lisa*Sarah em 31/07/2011 na G1F.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

“Eu fiz o parto do meu filho, não o médico”

A luta de uma mulher para conseguir um parto natural nos dias de hoje.

Sempre quis entender por que uma mulher prefere passar por uma cirurgia que exige um corte transversal de 10 a 15 centímetros e atravessa sete camadas de tecido do que ajudar seu filho a nascer da forma mais natural. Segundo a Organização Mundial da Saúde, apenas 15% dos partos têm indicação de cesariana. Mas, no Brasil, oito de cada 10 partos na rede privada são cirúrgicos. E, assim, os bebês brasileiros cujas mães têm plano de saúde nascem em horário comercial e o que era natural virou exceção. Por quê? E para o benefício de quem?

Já ouvi dezenas de vezes a justificativa de que a cesariana “é mais prática, cômoda e indolor”. Prática, cômoda e indolor para quem? Talvez seja mais prática, cômoda e indolor para o médico, que não vai ser acordado no meio da noite nem ter de desmarcar compromissos e consultas para acompanhar um processo natural durante horas. Mas, para a mulher, os fatos provam que não. Ainda que o parto natural leve mais tempo, assim que a criança nasce não há mais dor. Já a recuperação da cesariana pode levar semanas e até meses, quando tudo dá certo. Sem contar os riscos inerentes a uma cirurgia de grande porte. Há poucos dias, ao visitar uma amiga que acabou de ter seu segundo filho por cesariana, ela me disse: “A dor que senti ao tentar levantar depois da cesárea foi muito maior do que todas as dores do parto natural do meu primeiro filho. Não entendo como alguém pode achar que isso é melhor”.
Também já perguntei a alguns obstetras por que fazem tantas cesarianas. E a resposta de todos foi: “Porque nenhuma das minhas pacientes quer ter parto natural”. Será? Sempre desconfiei que parte dos médicos não sabe fazer parto natural. E, além de ser mais prático para eles, escolhem a cesariana porque também têm medo. Em uma reportagem sobre mortalidade materna publicada na Época em 2008, o obstetra Nelson Sass, professor da USP, afirmava exatamente isso: “Os estudantes de Medicina das melhores faculdades quase não têm contato com parto natural. É uma deformação das escolas. Como os casos mais complicados são encaminhados aos hospitais universitários e resolvidos com cesáreas, os alunos não treinam o parto natural”.

Este obstetra, que não foi treinado para o mais fácil e mais natural, vai convencer aquela gestante que, no caso dela, uma cesariana é a melhor opção. Quando uma mulher está com um filho na barriga e um médico diz que é necessário cortá-la para que ele saia, dificilmente ela vai desafiar a autoridade do médico e contestá-lo. Se o médico diz que é mais seguro, como ela vai discutir e correr o risco de comprometer a vida do seu filho? Nesses casos, mesmo mães que desejaram e se prepararam para um parto natural recuam diante da autoridade daquele que sabe. Mas, às vezes, aquele que sabe só tem medo. Ou, pior, tem um compromisso social em seguida ou apenas quer ganhar mais.

Quando uma mulher engravida e a barriga começa a crescer, dá medo, às vezes até pânico, saber que aquele bebê que está dentro dela vai ter de sair. E é ela quem vai ajudá-lo nisso. E que esse processo inclui dor. É natural ter medo. Isso não significa que essa mulher não possa lidar com esse medo e com todas as fantasias a respeito desse momento e, mesmo assim, viver o que tem para viver. A maior fantasia – e a que mais atrapalha todas as mulheres – é justamente a ideia de que a maternidade é sagrada e só envolve bons sentimentos. Então, para ser uma boa mãe, supostamente uma mulher teria de achar tudo lindo e elevado.
Poucas crenças são mais perniciosas para as mulheres – e depois para os seus filhos – do que o mito da maternidade feliz. A escritora francesa Colette Audry disse uma frase genial sobre o que é um filho: “Uma nova pessoa que entrou na sua casa sem vir de fora”. Como não ter medo e sentimentos conflitantes a respeito de algo assim? Engravidar e parir dá medo mesmo. E uma mulher não vai amar menos aquele bebê por sentir pavor, raiva e sentimentos supostamente menos nobres – ou supostamente proibidos. Ao contrário. Ela pode ser uma pessoa pior e uma mãe pior se sufocar esses sentimentos em vez de aceitá-los e lidar com eles. O que também implica lidar com o medo da dor do parto e da responsabilidade de ajudar o filho a nascer. É claro que auxilia bastante encontrar um obstetra responsável que converse com ela sobre seus sentimentos – em vez de abrir a agenda para marcar a cesariana.

É por medo de viver e porque ninguém as ajuda a lidar com seus piores pesadelos que muitas mulheres preferem não sentir – literalmente – um dos momentos imperdíveis da vida que é o parto de um filho. Acredito que a saída para esse medo não é ser anestesiada e cortada em data previamente marcada. E, principalmente, sem necessidade. Como me disse uma grávida um dia: “Prefiro a cesariana porque aí não tenho de passar por isso. Eu fico ali, sem sentir nada, e de repente meu filho já está do lado de fora”. Essa mulher nunca soube o que perdeu, porque perdeu.
Hoje há um movimento forte em defesa do parto natural e há crianças nascendo em salas humanizadas de hospitais e mesmo dentro de casa nas grandes cidades, como São Paulo, enquanto lá fora o trânsito para e os carros buzinam. Existem grupos semanais onde as mulheres e também os homens podem falar abertamente sobre todos os medos e trocar experiências sobre parto e amamentação. E poder falar sobre isso e dizer que eventualmente está apavorada faz bem para todo mundo e também para o bebê que vai ter uma mãe que consegue falar de seus sentimentos. E falar do que sentimos e do que não sentimos, por pior que nos pareça sentir o que não queríamos sentir – ou não sentir o que achamos que deveríamos sentir –, nos ajuda a amar melhor.

Algumas ressalvas, porém. A luta pela volta do parto natural é um bom combate. Mas é preciso não cair no outro extremo e virar xiita, já que dogmas não fazem bem à vida. Às vezes percebo com pena esse traço em alguns movimentos que poderiam ser melhores se deixassem a soberba de lado. A cesariana é uma ótima saída nos casos em que é indicada e pode salvar a vida da mãe e do bebê. O problema não é optar por ela quando claramente é a melhor alternativa diante de uma complicação – e sim fazer a cirurgia sem necessidade, um comportamento epidêmico no Brasil.
Nenhuma mulher é menos mãe ou menos mulher porque não conseguiu ter um parto natural. Assim como nenhuma mulher é menos mulher porque decidiu que não quer ser mãe. Já testemunhei mães orgulhosas de seu parto natural esmagar com sua suposta superioridade uma outra que precisou de cesariana. Este é um comportamento lamentável, quando não ridículo. Nesses casos, além de ter sido submetida a uma cirurgia e estar cheia de dores e pontos, a mulher é punida porque não foi uma superfêmea. Como se ter de fazer uma cesariana fosse uma nova modalidade de fracasso. Superfêmeas, assim como supermães, para o bem da humanidade é melhor que não existam. As mulheres mais bacanas e as que possivelmente serão melhores mães são as que assumem seus medos e não punem o medo das outras. E compreendem que na vida, assim como no parto, a gente tenta fazer o melhor possível. E o melhor possível tem de ser o suficiente.

Para nos ajudar a pensar sobre tudo isso, entrevistei uma amiga que teve seu primeiro filho há uns poucos meses, perto dos 40 anos. Eu a escolhi porque ela desejou muito um parto natural. E se preparou muito para o nascimento do seu filho. E conseguiu o seu parto. Mas, para isso, passou por um tremendo estresse desnecessário em seu embate com a cultura predominante da cesariana e o medo de que os profissionais escolhessem por ela ao longo do trabalho de parto.

Quando fui visitá-la no hospital, no dia seguinte ao nascimento do bebê, ela tinha necessidade de contar sobre o pavor vivido não por causa das dores do parto, mas pelo medo de que roubassem dela esse momento. Seu bebê era saudável, ela ajudava a dar nele o primeiro banho e amamentava-o sem nenhum incômodo. Mas o embate com a equipe de saúde a tinha marcado. E teria sido melhor se ela tivesse a certeza de que sua decisão seria respeitada – e uma cesariana só seria feita se realmente houvesse necessidade.
Há cerca de um ano ela deu outra entrevista para esta coluna, sobre seu desejo e suas dificuldades de engravidar, e os mitos de fertilidade que atrapalham a vida das mulheres. Agora, ela nos conta o capítulo seguinte. A experiência de cada mulher é única. Esta é a da minha amiga. Nem certa nem errada, nem melhor nem pior, apenas a dela.

ÉPOCA – Você queria muito ter parto natural. Por quê?

Me parecia uma experiência mais completa do que uma cesariana, mais natural e menos passiva. Queria fazer força, ajudar meu filho a vir ao mundo. Não queria alguém tirando ele com um bisturi sem que eu visse, por trás de uma cortininha hospitalar, em 10, 15 minutos. A cena tinha de ser maior, mais demorada e curtida. Me via puxando/empurrando meu filho pra vida. A gente tomava fôlego de vez em quando e ele continuava a sair. Algo pra se ir absorvendo aos poucos. Ao longo da gravidez, também fui construindo em mim a ideia de que um parto normal seria algo mais meu, sobre o qual eu teria mais controle do que uma cirurgia. Eu faria o parto – não o médico.

ÉPOCA – - Este desejo, que é natural, afinal é assim que as crianças nascem ou deveriam nascer quando não há nenhuma complicação, acabou sendo difícil de botar em prática, porque toda a cultura ao redor empurrava você para uma cesariana. E isso deu a você uma carga extra de tensão. Como foi?


- Eu tive de fazer uma verdadeira maratona para conseguir meu parto. Sabia que as cesarianas eram regra, mas não que era tanto assim. Os médicos te dizem: "Vamos tentar um parto normal", como se fosse o mais difícil, como se exigisse condições. Ora, o "normal" não é ser normal e a cirurgia só acontecer se algo der errado? O fato é que eu tive de convencer, barganhar, ameaçar trocar de médico para conseguir que fosse normal. Percebi que precisaria me informar horrores, me apropriar do processo, para que quando chegasse o momento ninguém pudesse me enrolar com desculpas como as que eu ouvia de amigas justificando cesáreas. E nesta viagem eu aprendi muitas coisas sobre parto. Tantas que teria sido capaz de fazer o meu sozinha. Descobri que bastava amparar meu filho na saída e secá-lo. Não existe nenhum procedimento imprescindível nem durante o parto, nem no nascimento - quando tudo está bem, é claro. Não deixa de ser um absurdo ter de descobrir como funciona algo tão ancestral e natural como um parto. Este processo parece que foi transformado em um mistério pela medicina moderna – um mistério até para as mulheres

ÉPOCA – - Por que você acha que a medicina tornou o parto um mistério? E por que você acha que as mulheres preferem cesarianas? Do que elas têm tanto medo, afinal?


Primeiro, por falta de informação. Os médicos dão pouca informação. Chegam a perguntar o que a mulher prefere, em vez de irem direto para o normal e partirem para a cesárea apenas quando necessário. Já ouvi de um médico que cesariana era mais “prático”. O ponto de partida é que já está errado. Se os médicos não esclarecem, as possibilidades de parto normal já ficam reduzidas. Por exemplo, o parto normal dói, mas tem a opção da anestesia no momento em que a paciente quiser, embora o ideal seja mais para o final. Acho que se as mulheres conhecessem melhor o processo, optariam menos por cesarianas. Há vários mitos envolvidos. Acho que algumas mulheres consideram o parto normal algo pouco civilizado, pouco moderno. Muitas têm medo de ficar com a vagina alargada depois que passar um bebê. Tem também a questão da falsa praticidade, de poder marcar o parto. Digo falsa porque não é nada prático ficar com pontos na barriga de uma cirurgia considerada de porte, fora o risco de ter um bebê nascido antes do tempo, antes de ficar pronto. Há mulheres que querem acabar logo com o processo do nascimento, como se ele não pudesse ser demorado e maravilhoso, sentido, como se esta demora não tivesse também as suas delícias. É como sexo: você sua, se esforça, quanto mais demora, melhor. Não combina ser asséptico, rápido, cirúrgico. O parto também não. Mas acho que o que mais pega é o medo da dor. Nosso mundo tem medo da dor. Mesmo a inevitável, a necessária, a que ajuda a trazer um filho pra vida. A dor de parto não é como outras dores. Não é como uma dor de ouvido, por exemplo. Ela vem aos poucos, para que a mulher se recupere nos intervalos. É forte, mas é uma dor de vida, não de morte. Vai trazer uma coisa boa. Isso te ajuda a suportar. Se não, tem a possibilidade de analgesia. Prefiro dizer que não são dores de parto, mas contrações, movimentos.
ÉPOCA – - O que você aprendeu em sua busca de conhecimento, quase se armando para que não roubassem de você um dos grandes momentos da sua vida?


No fim, aprendi que havia vários tipos de parto normal - natural, normal, induzido, humanizado... E percebi que eu não queria apenas um parto "vaginal". Queria um parto com o mínimo de intervenções, o mais natural possível. Nos últimos anos (ou décadas) foram estabelecidas tantas intervenções como rotina que, na maioria dos partos normais urbanos, de classe média, você toma uma superanestesia e fica inepta pra ajudar seu filho a nascer. Então tem de tomar hormônio pra estimular as contrações reduzidas pela anestesia. Na hora H alguém empurra sua barriga com uma manobra horripilante e desnecessária para que o bebê saia. E, no fim, quase que obrigatoriamente, cortam a entrada da sua vagina para ajudar o bebê a sair, mesmo que não precise. Eu não queria nada disso. Queria um parto meu, comandado pelo poder de dar à luz que a natureza me deu, apenas assistido pelos profissionais de saúde.
ÉPOCA – Em sua incursão pelo mundo da militância do parto natural, você participou de grupos e ouviu histórias de todo tipo. Quais foram essas narrativas e como elas ajudaram a construir a sua?


Eu tinha guardado na memória o relato especial de uma amiga que teve a filha ainda adolescente no hospital, mas sem anestesia, sentindo as dores do parto. Era minha história inspiradora de nascimento. Descobri na internet um grupo para grávidas, o Gama (Grupo de Apoio à Maternidade Ativa), para ajudar as mulheres a ter experiências assim. Frequentei esse grupo semanalmente com meu marido. Lá ouvi outros relatos de partos naturais, ou seja, sem anestesia nem intervenções, muitos ocorridos em casa. Quase todo dia tinha uma história incrível de uma mulher que tinha dado à luz deitada em sua própria cama, usando os lençóis guardados no armário, comovendo os vizinhos com o choro de bebê novo que de repente interrompia os gemidos do parto como se estivessem todos num século remoto, muitas vezes escandalizando a família com sua escolha "precária". Não me lembro de um relato exato porque eles se pareciam muito, mas de detalhes misturados de nascimentos em apartamentos apertados no caos de São Paulo. Um casal contou que teve o filho num cômodo sem janela, na parede apenas o quadro pintado por um amigo imitava a paisagem de fora. Que loucura alguém parir sem janela, pensei. Eu adorava esses detalhes curiosos e muito humanos. Teve o marido assustado que se refugiou na cozinha para fazer comida enquanto a mulher se contorcia pra dar à luz no quarto, como se nada de extraordinário estivesse acontecendo na casa enquanto ele cozinhava. Teve a história da mulher que berrou no meio de uma contração para o marido não entregar pra parteira as toalhas de banho brancas, e sim as estampadas, se não estragaria o enxoval dela. Teve o caso de uma que ficou muito brava com o companheiro porque ele ficava contando os intervalos das contrações e isso a deixava nervosa. Ela pedia que ele parasse e ele continuava contando.
Teve a que achou que tinha defecado no parto, mas era só a placenta saindo depois do bebê. E teve uma que de fato defecou. Nunca tinha imaginado que coisas assim pudessem acontecer. Além dessas histórias do grupo, fui também buscar histórias mais próximas. Uma amiga contou que teve o bebê quase no saguão do hospital, antes de a médica chegar, porque o marido não acreditou que o trabalho de parto estivesse tão avançado. A filha nasceu enquanto ele estacionava. Essa história me fez pensar que eu deveria conhecer bem os estágios do parto, para o caso de uma emergência. Outra me contou como se sentiu traída ao final de um trabalho de parto normal e tranquilo, quando o anestesista a agulhou pelas costas sem que ela quisesse, apenas para justificar sua ida ao hospital numa antevéspera de ano novo. E de como ela se sentiu dolorida nos dias seguintes por causa da peridural e da traição. Me fez pensar em como era importante eu deixar claro meus desejos e manter em minhas mãos o comando da situação. E também a importância de deixar claro para o meu marido o que eu queria – e não queria. Ouvi também um relato triste da minha irmã, que sempre quis parto normal e acabou levada a uma cesárea que ela acreditava desnecessária. Ela não viu os filhos saírem, não sentiu nada. E quando fui resgatar essa história, senti como isso tinha deixado nela uma ferida aberta. Uma ferida que eu não queria aberta em mim. Fui escutando essas histórias para ver como era, saber o que eu queria, o que eu não queria, e para tentar aceitar o que talvez estivesse além do meu querer.
ÉPOCA – Quando seu filho nasceu, você disse que ficou muito tensa durante o processo porque a todo momento tinha medo de que os médicos pudessem dar uma anestesia, fazer algum procedimento ou mesmo uma cesariana contra a sua vontade. Como foi isso?

Ao longo da gravidez, fui decidindo o que eu queria e o que não queria pra mim e para o bebê. Coisas muito importantes, pelas quais eu e meu marido faríamos todo o possível, e outras que nos importaríamos menos se escapassem do planejado. Meu maior terror era passar por uma cesariana. Ainda mais se fosse desnecessária. Não sei em que pedaço de mim isso pegava, mas pegava. Nas últimas semanas, minha obstetra falou: "Querida, se rolar cesariana serão dez anos de terapia pra você, não é?". Eu disse: "Exatamente. Você entendeu o tamanho da coisa".


ÉPOCA – Por que tanto horror à cesariana? Embora exista um abuso de cesarianas no Brasil, boa parte delas desnecessária, há casos em que pode ser a melhor escolha e mesmo fundamental para salvar a vida da mãe e do bebê. Se fosse este o caso, não estaria tudo bem para você?

Acho que se fosse o último recurso, tudo bem. Mas eu gostaria de ter certeza de que era realmente necessário e não uma conveniência ou inabilidade do médico, coisa que ficou muito difícil identificar hoje em dia. Acho que eu também mitifiquei o parto normal. Eu nasci de cesárea. E estou aqui, viva, sem traumas. Não tenho problemas com isso. Mas era um desejo meu ter o filho naturalmente. Só aceitaria a cesárea se tivesse muita clareza da necessidade.
ÉPOCA – Então conta como foi seu processo nessa luta com os profissionais de saúde ao longo do trabalho de parto...

Meu trabalhou de parto ativo durou 13 horas. Isso é considerado normal, mas as pessoas se assustam. Muitos médicos se assustam, inclusive. Meu pavor, quando eu via o relógio andando depressa demais, era que eles se cansassem e dissessem: "Bom, vai ter de ser cesárea". E me empurrassem uma desculpa qualquer goela abaixo, com o poder da autoridade deles. Eu cheguei ao hospital com contrações fortes e ritmadas, num bom intervalo. Mas a dilatação era frustrantemente pequena ainda. Meu filho estava com a cabeça defletida, ou seja, virada pra cima, mirando o céu, então não descia. E minha vagina tinha uma reborda, uma espécie de dobra que se forma muitas vezes e também dificulta a saída. Eu sabia que nenhuma das duas coisas era motivo para cesárea, mas podiam tentar usá-las para fazer uma. Eu tinha chamado uma doula, uma acompanhante de parto, que na hora me ajudou com exercícios, posições e apoio emocional. Mas, depois de oito horas, acabei pedindo uma analgesia porque não aguentei a dor, estava dobrada, apagando nos intervalos das contrações. Tive medo que isso animasse os médicos a fazer cesárea, afinal, eu já estava anestesiada, ainda que de leve. Chorei muito porque não imaginava que a dor fosse maior do que eu. E chorei de medo. Lá pelas tantas entrou uma obstetra na sala e começou a conversar com minha médica. Ela dizia que o parto que ela fazia na sala ao lado estava demorando muito então ia virar uma cesárea porque ela já estava cansada. Entrei em pânico e comentei com a doula que não queria que todos se cansassem daquele momento meu e quisessem ir embora inventando uma cesárea. Minha médica ouviu e disse: "Temos todo o tempo do mundo para esperar". Era verdade. Ela começou a me pedir pra fazer certas posições, me virava na cama, com muita delicadeza, até que o bebê se acertou e começou a sair.

Nessa hora, de novo entrei em pânico, fiquei selvagem porque começaram a montar uma mesa de instrumentos e eu temi de novo uma cesárea. Pra que tudo aquilo? A pediatra, acostumada com partos humanizados, naturais, me disse que era normal, uma prevenção em caso de ocorrer uma emergência. Mas a cada barulhinho de metais mexendo eu gritava, perguntando o que iam fazer. Felizmente, o que fizeram foi apenas esperar meu filho sair, naturalmente, sem cortes, inteiros nós dois.
ÉPOCA – Qual foi o sentimento quando seu filho nasceu?


Eu parecia um bicho. Estava meio agressiva, assustada e ao mesmo tempo me sentindo a dona da cena. Queimava tudo quando ele estava saindo. Parecia que as tripas iam sair por baixo, apesar da analgesia, que era leve justamente pra eu sentir. Daí ele saiu, roxinho, com o cordão enrolado no pescoço e na mão, sem nenhum problema. Veja que os cesaristas adoram dizer que isso é motivo pra cortar uma mulher. Alguém que estava perto da vagina esticou os braços me entregando aquele pacotinho. Me escapou um: "O que eu faço com isso?". Mas imediatamente eu soube e puxei ele pra mim, pro meu peito. Veio a pediatra e ajeitou-o pra mamar. E ele mamou. Eu chorava, chorava. Chorava e sorria. Parecia que não existia nada além dali. Que o momento era aquele. Que a vida começava e terminava naquela sala. Que ali dentro estava tudo que me importava. Senti orgulho de mim, do meu filho. Me senti poderosa, cheia de muita coisa boa. Talvez algumas mulheres se assustem com a intensidade de dor e de medo no relato do parto do meu filho e achem que não vale a pena. Primeiro, eu acredito que as coisas importantes não são necessariamente leves e indolores. Nem que as coisas boas só são boas se forem leves, rápidas e indolores. Meu parto foi forte. Em alguns momentos foi tenso e doloroso. Em alguns momentos tive medo. E, mesmo assim, foi uma delícia. Mesmo assim, tive um prazer indescritível. Tudo junto, como a vida é. Não trocaria isso por nada. Poucas vezes me senti tão viva. Poucas vezes estive tão viva. E completa.
ÉPOCA – Como é ser mãe? Fico observando você e percebo que, embora existam as angústias, e elas são muitas nesse início da vida de um filho, você parece estar sempre numa espécie de estado de completude. Volta e meia olha para o seu filho e chora de alegria...


Eu estou em estado de graça desde o momento em que meu filho nasceu. Eu tinha um medo, que para algumas pessoas pode parecer idiota, de ter um filho feio e burro. Bem, ele é lindíssimo. Meu bebê nasceu lindíssimo, como eu jamais poderia imaginar que seria. Tem orelhas perfeitas, nariz lindo. Ele é todo bonito. Tudo nele é bom. Senti algo indescritível quando saí da maternidade com ele nos braços, apresentando a rua lá fora, o sol, os carros, o barulho, as pessoas, a vida. Me senti a pessoa mais importante do mundo. Chorei quase todos os dias do primeiro mês de vida dele. De alegria, de plenitude. Chorei de ver que era tudo verdade, que ele estava ali. E ainda choro. A maternidade está além da minha maior expectativa.
ÉPOCA – Me parece, pela minha própria experiência e pela de outras mulheres que escuto por aí, que o afeto e o amor pelo filho não é algo dado, mas construído. De repente, há uma pessoinha nova fora da gente, na casa da gente, exigindo coisas com o seu choro. Mesmo que a gente a carregue por nove meses, fora do nosso corpo é outra história. Me parece que amamos aos poucos, num afeto que vai se construindo e se fortalecendo ao longo dos dias, até se tornar a ligação mais forte e profunda da nossa vida. E não como um amor que vem do além e cai como um raio na hora em que o bebê nasce, como somos ensinadas a acreditar que é o certo. Como foi para você?


É interessante porque, embora a maternidade seja atávica, o afeto não é automático, imediato. Eu não senti assim, pelo menos. Fui me apaixonando pelo meu filho. É algo que é construído da rotina com o bebê, que é uma das coisas mais intensas que alguém pode viver. Um dia aparece um serzinho estranho de dentro de você para você cuidar. Invade seu mundo, sua vida, com um cheiro novo, barulhos novos, hábitos novos. Surge um novo prolongamento de você, algo que não existia antes e que precisa de você para existir. No começo é ternura, curiosidade, encantamento. Acho que a natureza faz bebês fofos para a gente se encantar e cuidar deles. Aos poucos vai virando amor, delícia, intimidade. Você ama "aquele" bebê. Eu comecei a ficar mais mãe aos poucos. E acho que vou ser cada vez mais mãe, conforme o tempo passar.
ÉPOCA – - Um de seus conflitos é a aproximação do momento de voltar ao trabalho, depois da licença-maternidade. Por um lado você tem vontade de largar seu emprego e virar mãe em tempo integral. Por outro, tem sonhos de que está trabalhando em grandes projetos. Não é fácil ser mulher, não é? Como você está se virando?


Não gosto nem de imaginar a volta ao trabalho. Parece que ele vai precisar de mim e não vou estar. Dizem que quem mais sente a dor dessa primeira separação é a mãe. Eu não consigo imaginar meu filho desamparado. Uma neura de que não cuidarão tão bem dele, de que eu não estarei lá vendo cada sorriso ou respiro. Acho que ainda sinto que ele é um pedaço de mim que ficaria pra trás algumas horas, doendo. Tenho um trabalho flexível, que me permitiria estar com ele em vários intervalos do dia. Ao mesmo tempo, já fiz as contas pra ver quanto tempo eu poderia ficar em casa só acompanhando ele crescer, mudar. Provavelmente, voltarei a trabalhar. Acho que ficaria tensa de não ter segurança financeira e talvez me cansasse, com o tempo, de ficar apenas em casa. Afinal, é uma rotina desgastante. Meu plano ideal seria que me dessem uma licença de um ano ou que meu emprego me liberasse e estivesse lá quando eu voltasse. Pra mim, seria o tempo ideal pra eu me dedicar ao meu filho, curtir cada minutinho, cheirar ele o dia inteiro. É importante trabalhar, mas é melhor ser mãe, ao menos nesse momento. Acho que o modo como as coisas são estruturadas no nosso mundo, no nosso universo brasileiro, não facilita muito a vivência dessas coisas. Poderíamos ter a opção de voltar logo ou não ao trabalho. Eu queria muito ficar mais. Mas dá medo chutar tudo e viver de economias. Eu não gosto de pensar nisso. Me incomoda, estraga meu dia. Meu filho fez parar meu tempo. Mas as coisas fora de nós não pararam. Não sei como resolver.
ÉPOCA – Quais são as alegrias e os conflitos desse momento muito particular que você está vivendo?

As alegrias são todas. O sorriso dele quando acorda, as dobrinhas, o cocô sem cheiro. Os gemidos, o choro, o beicinho, a respiração, o espirro. Mas a maior felicidade é ele mamar no meu peito. Ele se alimentar de mim. Isso é uma loucura. E eu me alimento de olhar ele mamando, toda torta, querendo chorar de alegria. A mãozinha no meu peito. Algo indescritível. Não tenho muito tempo pra mim, o que me angustia, mas só um pouquinho. Me sinto bonita, forte, poderosa, e tenho conseguido administrar as dificuldades porque tenho uma boa rede de apoio – marido superparticipativo, empregada, família, grana. Talvez eu não seja a melhor referência, porque a maternidade nem sempre é fácil. E pra mim está sendo uma delícia. Meu maior conflito é querer às vezes ficar só eu, meu filho e o pai dele juntos, feito bichos, num ninho, nos lambendo. Mas o planeta não é vazio como eu queria que fosse agora. O que também tem um lado bom: muita gente pra eu mostrar a coisa mais linda que eu já vi.

ÉPOCA – Hoje, olhando para trás, o que o parto natural deu a você?

O meu não foi 100% natural porque eu tomei analgesia. Meu parto normal me deu a maior lembrança da minha vida. Uma longa cena que me mudou completamente. Me sinto uma mulher completa agora. Me sinto uma mulher feita. Acho que, por ter sido um parto normal, me sinto mais do que se fosse de outra forma.

ÉPOCA – Você tem medo do futuro? De seu filho estar aqui, de ter de educá-lo com um mundo inóspito lá fora...

Tenho todos os medos, os mais absurdos. De ele sofrer, de não ser feliz. Medos que eu sempre tive da vida, como todo mundo. Mas meus olhos estão tão cheios da visão linda do meu filho e meu coração transborda de uma alegria tão grande que não cabe mais nada. Essas visões ruins de futuro se apagam rapidamente. Uma ternura louca espanta os medos, tão logo eles chegam. E me enche de esperança a idéia de criar um ser humano lindo e feliz. De apresentá-lo ao mundo e o mundo a ele.


ÉPOCA – O que é ser mãe, afinal?

Para mim, ser mãe é me sentir completamente mulher, fêmea, em todas as possibilidades. Já li que não é a maternidade que te faz uma mulher. Mas há uma dimensão que a gente só conhece sendo mãe. É mais para sentir do que explicar. Me sinto maior do que eu era antes. Bem maior.

P.S. – Se você quiser, conte aqui a sua experiência de parto. Nem certa nem errada, nem melhor nem pior – apenas a sua.


Fonte: http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI204610-15230,00.html

postado por Rose*Lisa*Sarah na G1F

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

terrible two!


Para quem ainda ensaia no quesito maternidade, digo de coração que aprendi uma novidade: seu filho pode ser tudo aquilo que vc reparou no filho alheio! E sim, fazer birra, manhas, bater, fazer arte!


Pois bem, é nessa fase que nos encontramos. E difícil tem sido encontrar um meio termo entre diálogo e educação...


Confesso, tem sido difícil. Até então nunca em toda a experiência de ser mãe, achei que não estivesse dando conta. Tirei de letra todas as fases até que completamos dois anos.

Agora me acho a pior mãe do mundo, porque não consigo fazer com que minha filha pare de espalhar minhas maquiagens pela casa. E a despeito de todo diálogo, castigos e conversas, ela que agora alcança a maçaneta da porta do banheiro (e pelas pontas dos pés rs) saqueia minha bolsinha de maquiagens, que diga-se de passagem, são carassss!


Descobri agora com os 2 anos que ela sabe escalar.

O não é sua palavra predileta.

Ela sabe bater.

Ela não sabe o que significa castigo.
Cortar o cabelo de uma criança de 2 anos é tarefa para mágico!


Ahhh mas ela sabe dizer te amo, assim como ninguém!


E apesar de tudo, sempre me pego pensando... Quão recompensador é o papel de mãe!

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Eles crescem rápido...

Meu Guri,

por Kalu.

Fui buscar a toalha e deixei meu pequeno a se banhar. Ele pegou o sabonete líquido, colocou na esponja, esfregou o corpo. Sua barriga outrora saliente, já se distribui num corpo esguio, com músculos definidos nas coxas e tórax. Ele retirou o sabão do corpo, aplicou uma pequena quantidade de shampoo, esfregou os cabelos. Passou condicionador e me chamou:

- Mãe, acabei o banho.

Parada na porta eu senti uma estranha sensação de descobrir que agora sou mãe de um menino. O bebê se foi como num passe de mágicas, sem deixar recado de onde está. Ainda me lembro do cheiro de leite do pescocinho regugitado. Do barulhinho que ele fazia procurando o peito, com aquela cabecinha sem firmeza. Como era delicioso aquele pacotinho habitando o sling que matava a saudade do ventre cheio.

Lembro da primeira vez que virou no trocador e quase caiu, matando a mamãe de susto. Das primeiras lagartixadas pelo chão, do engatinhar, dos primeiros passos, das primeiras palavras. Lembro como o mundo andava devagar. Parecia que ele nunca iria dormir sozinho, que nunca comeria sozinho, que nunca brincaria sozinho.

Em alguns momentos em que me sentia apenas dois pares de peito, parecia que o mundo pulsava em novidade, enquanto eu estava parada. Mas ao ouvir aquela risada gostosa, ao acompanhar cada doce conquista, eu me lembrava do mantra da maternidade: Isso passa. E passa rápido demais

Tão rápido que um dia, você vê seu menino comendo sozinho, na mesa com você, contando casos engraçados e sente falta do tempo que comia comida fria. Ou ainda consegue ter humor de lembrar que bastava colocar a comida no prato para o pequenino acordar. Perdi as contas de quantos almoços fizemos juntos: ele no sling e eu desenvolvendo habilidades excepcionais a comer com a mão esquerda.

Hoje vendo meu menino doce, amoroso, seguro e feliz tenho a certeza que fiz as escolhas certas. Respeitar o tempo de dependência dele trouxe uma leveza a minha maternagem e para sua vida como um ser humano íntegro. Só eu sei como tive que fechar os ouvidos da palpitaria do mundo para ouvir meu próprio coração. Como tive que dissolver paradigmas internos de bebe dependente que faz birra e é apegado demais ou que dormir junto com a cria atrapalha a sexualidade e individualidade da criança.


Teorias estão aí para serem lidas, mas o verdadeiro caminho, acredito, está no coração. E segui-lo trouxe frutos doces que transformaram profundamente a mim mesma.

Hoje leio um livro enquanto meu filho brinca ao meu lado. Durmo a noite toda na minha cama e sou acordada pela manhã com uma mãozinha gordinha a me acariciar a face e ver, como numa visão angelical, cabelos desarrumados e aquele bafinho gostoso da manhã. Ver meu pequeno feliz, tranqüilo, inteligente, solicito, obediente, questionador fez valer a penas todas as noites que passei ao seu lado, minha escolha por meu encolhimento profissional para estar mais tempo ao seu lado, minha brigada para permanecer firmes em minhas ideologias diante de um mundo que exige mulheres no mercado de trabalho, crianças precocemente independentes.

Ontem, no carro, enquanto esperávamos meu marido comprar pão, tocava no rádio “Amor de Índio”. Meu filho, me olhava com olhos apaixonados, me acariciava e abraçava em uma expressão incrível de um amor sem medida. Foi uma cena linda, daquelas que a gente guarda dentro da gente, para lembrar para sempre. Eu repetia interiormente, em gratidão – Tudo que move é sagrado. Sim todo amor é sagrado.
 
Postado por Marla, mamãe de Pietro e Mari na G1F

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Cinco mitos de amamentação e os fatos reais

Cinco mitos de amamentação que você provavelmente acreditava serem fatos!

Há tantas barreiras para o sucessso da amamentação que muitas mulheres desanimam e mesmo as que querem amamentar acabam desistindo.

Profissionais da saúde frequentemente atrapalham a amamentação – as vezes até consultoras de amamentação podem dar maus conselhos!

Não é surpresa alguma que as taxas de amamentação no nosso país são tão baixas, não é?

Por isso é tão importante realmente prestar atenção quando alguém tenta lhe explicar alguma informação corrompida e discutir as razões pelas quais amamentação não deu certo para você. Mesmo que seja tarde demais para você, a cada vez que você discute a situação com alguém, você pode tentar desmistificar tudo que foi responsável pelo seu insucesso. Então talvez não deu certo para você, mas alguém pode amamentar graças a sua ajuda!

Então vamos lá- as razões pelas quais as mulheres não amamentaram e porque não são verdadeiras:
1) "Não importa quanto tempo espero entre mamadas, meus peitos nunca estão cheios "

Por alguma razão as pessoas tem a idéia de que os peitos tem que estar cheios, ou não há leite, e que precisam de tempo para encher antes de poder amamentar novamente.

Graças a Deus isso não é verdade, porque seios engurgitados (cheios) o tempo todo podem ser bem desconfortáveis!

Felizmente você só sente os peitos cheios quando o leite vem pela primeira vez porque seu corpo produz inicialmente muito leite (e se você tiver trigêmeos para amamentar?) e então a quantidade de leite produzido começará a se estabilizar conforme a quantidade que seu bebê precisa. Se você esperar que os peitos sintam cheios antes de amamentar, você esperou tempo demais e estará sinalizando seu corpo para produzir menos leite, prejudicando assim sua produção de leite, o que também resultará num bebê faminto!

Após isso, a amamentação está estabelecida e seu suprimento de leite está bem (o que é feito amamentando em livre demanda), a única vez que sentirá o peito cheio é se você pular uma mamada.

(Peito é fábrica, não estoque)
 
2) "Ao menos que você tenha uma alimentação realmente saudável, seu leite materno não é melhor que fórmula."

Também extremamente falso. Na verdade, assim como na gravidez, má nutrição traz mais prejuízos a você do que para o bebê porque você é designada a reproduzir e continuar a espécie, então seu corpo é feito para se importar mais com o bebê do que contigo! Se você não se alimentar adequadamente, seu leite ainda é fabuloso- mas está sugando nutrientes do seu corpo e nutrientes que você precisa para ser saudável.

O único risco de amamentar um bebê quando a mãe não tem uma alimentação adequada é que a mãe poderá não produzir leite suficiente, e isso é mais ligado a hidratação do que a nutrição.

Portanto, dá-lhe água!
 
3) "Meu bebê é alérgico ao meu leite materno!"

Agora, antes de falar que isso é falso, pode não ser- mas as chances do bebê ter alergia a leite materno ou lactose em qualquer forma, condição chamada galactosemia, são extremamente baixas. Isso afeta somente 47 bebês nos EUA por ano.

Então é seguro dizer que essa condição é extremamente rara.

Então, enquanto essa alergia honestamente existe, e bebê não tem escolha senão se alimentar de formula a base de soja ou carne, o mito que estou comentado aqui é de pessoas que dizem que os bebês eram alérgicos ao leite materno e os desmamam com 2 semanas, 5 semanas, etc.

Enquanto possa parecer uma alergia ao leite materno, na verdade é uma alergia a proteina do leite de VACA (ou soja) que passa para seu leite, então você não tem que desmamar seu bebê- você só tem que fazer uma dieta de restrição de leite de vaca ou soja e derivados. Não é razão para desmamar- é preciso somente um esforço por parte da mãe.
 
4) "Tive que dar LA para meu bebê até o leite descer, já que desceu somente no quinto dia!"

Seus seios já produzem colostro antes mesmo do bebê nascer, e é tudo que o bebê precisa!

Quando uma mãe ouve que o colostro se mede em colherzinhas de chá do que em mililitros, ela frequentemente tem dúvidas se é realmente suficiente para os bebês. A resposta curta é que colostro é a única alimentação que bebês nascidos a termo necessitam. As explicações a seguir:

O estômago de um bebê de 1 dia tem a capacidade de cerca de 5-7 ml, ou do tamanho de uma bolinha de gude.

Seu colostro é justamente o volume próprio para as primeiras mamadas do bebê!

No terceiro dia, a capacidade do estômago do bebê aumentou para 22 ml- 30 ml (0.75- 1 oz), ou mais ou menos do tamanho de uma bolinha de gude média. Mamadas pequenas e frequentes garantem que seu bebê se nutra de tudo que precisa.

Por volta do sétimo dia a capacidade do estômago do bebê é agora cerca de 44- 60 mL (1.5-2 oz), ou mais ou menos o tamanho de uma bola de pingue pongue.

Mamadas frequentes asseguram que o bebê se nutra de todo LM que precise, e sua produção de leite se ajuste conforme a demanda.

Então veja, RNs quase precisam de pouco volume de alimento e se você der mais do que seus estômagos diminutos possam lidar provoca vômitos.

Como todos sabem, amamentação obedece a lei da oferta e demanda, então se você complementar no primeiro dia você já está mandando a mensagem para seu organismo para fazer menos leite. Então, quando o leite propriamente ditto descer (o que demora uma média de 3-5 dias ou mais!), você terá menos leite por causa do complemento.

Confie que seu corpo pode produzir leite suficiente na primeira semana de vida, e planeje que seu bebê tenha acesso irrestrito ao peito o dia todo e a noite também- é perfeitamente normal para um RN mamar 12 vezes ao dia, , algumas vezes em intervalos de 40-50 minutos. Isso não é sinal de pouco leite.
 
5) Um jornalista bem intencionado, mas totalmente enganado, escreveu no site Parenting . com "(...)Como o bebê foi prematuro foi necessário suplementar com formula especial por 6 semanas para compensar o fosfato que ele perdeu no útero."

É verdade que alguns bebês prematuros necessitam de formula especial se você não amamenta, não é verdadeiro afirmar que todos prematuros precisam de formula ao inves de leite materno.

Na verdade, é o oposto. Não somente leite materno se modifica e se adapta a bebês prematuros (nos bancos de leite é chamado de ‘leite prematuro’ se ordenhado de mãe de prematuros de 36 semanas de gestação ou menos, diferente do ‘leite a termo’ dos outros).

Essa modificação INCLUEM extra fósforo. Informação sobre amamentação de prematuros-

Estudos mostram que, enquanto a formula especial para alimentar prematuros ajuda os bebês a ganharem peso mais rapidamente, bebês prematuros amamentados desenvolvem melhor suas habilidades motoras, físicas e cognitivas e são liberados da UTI neonatal mais rapidamente.

Bebês amamentados no peito são liberdados da UTI neonatal em media 2 semanas mais cedo do que os que tomam fórmula.

E também prematuros que tomam LM escapam do risco de enterocolite necrosante que os bebês que tomam fórmula continuam tendo.

Para mães que estão tendo dificuldades com ordenha de LM suficiente, leites de bancos de leite dão prioridade especial a bebês em UTIs neonatais, que tem muito a ganhar com o LM. Ligue para uma líder da La Leche League ou vá a alguma reunião, ou de outros grupos de apoio a amamentação na sua área, e obtenha dicas para aumentar sua produção de leite, como usar o sistema de sonda de relactação (SNS).
 
Então é isso. Se algum desses mitos afetou sua amamentação, espero que você pegue essa informação que agora tem, pesquise e se informe ainda mais, e discuta os fatos reais quando porventura conversar sobre amamentação com amigas, conhecidas, familiares. Assim, ninguém mais cairá nas armadilhas que você caiu. . Talvez valha a pena até apresentar esse novo conhecimento e informações para quem quer que seja que te repassou mitos em primeiro lugar.

Enfim, uma das melhores coisas que você aprende com seus erros é a habilidade de ser pró-ativa para ajudar outras pessoas a não repetirem os mesmos erros!


Fontes:

http://thestir.cafemom.com/baby/108659/5_breastfeeding_myths_you_probably

http://www.kellymom.com/bf/supply/milkproduction-faq.html#refillmyth

http://www.galactosemia.com/galactosemia.html

http://www.llli.org/FAQ/colostrum.html

http://www.prematurity.org/baby/breastfeeding-preemie-benefits.htm


Postado por Juliana Bolanho - 09/09/2010 - em G1F - orkut

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Cartilha para desfraldar

Veja os conselhos dos médicos para ajudar os pais e as crianças nesse processo
1ª semana
Leve o pequeno ao banheiro a cada duas horas para fazer xixi. No caso de cocô, respeite os horários de costume. Espere sempre ao lado dele, sem apressá-lo, até que finalize a tarefa. Limpe-o e vista a cueca ou calcinha.
Dica: cante parabéns e festeje as primeiras vezes do xixi e cocô no peniquinho.

2ª semana
Continue levando a criança para fazer xixi e cocô, mas deixe-a sozinha no banheiro. Peça que chame quando tiver terminado.
Dica: recaídas são esperadas. Jamais dê bronca. Em vez disso, diga coisas como: “Você fez xixi na calça, mas não tem problema. Dá próxima vez conseguirá chegar a tempo ao banheiro”.

3ª semana
Deixe a decisão de ir ao banheiro por conta da criança, mas pergunte se não está com vontade pelo menos umas quatro vezes ao dia. Dica: quem limpa o pequeno são os pais, mas mostre para ela como se faz. Nunca se esqueça de apertar a descarga e lavar as mãos (as suas e as da criança) depois de usar o banheiro.

4ª semana
Agora não pergunte nem ofereça. Deixe que a criança vá ao banheiro por conta própria.
Dica: compre cuecas e calcinhas coloridas e com personagens para incentivá-la.


Quando retirar as fraldas?

O início da retirada das fraldas sempre gera grandes dúvidas nos pais. Esse deve ser um momento tranqüilo, considerado como parte da vida da criança e dos pais e encarado sem angústias.

O seu bebê está crescendo, tornando-se mais independente e deixando a mamãe mais livre também. É uma nova etapa, uma nova relação entre pais e criança que começa.

Os pais não devem ter pressa nesse processo. Uma criança que não tem maturidade suficiente para controlar seus esfíncteres (músculos que controlam a saída da urina e fezes) e é forçada a deixar as fraldas, pode ter sérios problemas de incontinência urinária ou de intestino preso. Portanto, não há nada melhor do que dar tempo ao tempo.
A criança precisa ter algumas habilidades para começar ficar sem as fraldas. Ela deve conseguir ficar sentada sozinha de 5 a 10 minutos, andar, falar para conseguir pedir para ir ao banheiro e tirar suas roupas que devem ser de fácil manuseio, como a de elásticos.
Geralmente, uma criança de 2 anos de idade já se encontra pronta para o início da retirada das fraldas. Nunca se esqueça que cada criança tem o seu desenvolvimento e o seu tempo para aquisição de habilidades. Respeite o momento de cada criança.
 
Tá chegando a hora!
Uma dica para reconhecer que já pode começar o treinamento é quando a criança aponta ou comunica que está suja ou que está fazendo xixi ou cocô ou então quando se interessa pelo o que os pais ou irmãos vão fazer no banheiro.
Explique sempre o que acontece no banheiro de forma que a criança possa entender que aquele lugar é o ideal para fazer o xixi e o cocô. Deixar a porta do banheiro aberta faz com que a criança imite os mais velhos e perceba que esse “ritual” é corriqueiro.
Para iniciar o processo, compre um penico de escolha da criança e deixe no lugar em que a criança costuma brincar. A criança deve explorar o penico (não a deixe colocá-lo na cabeça) e ser estimulada a sentar nele com roupa, enquanto os pais explicam para que serve ou brincam com ela.
Quando a criança estiver familiarizada, coloque o penico no banheiro e passe as eliminações da criança da fralda para o penico na presença dela, sempre conversando e explicando o que acontece. Comece a deixar a criança de calcinha ou cueca sentada no penico.
Quando a criança conseguir passar uma grande parte do dia seca já se pode retirar a fralda. Não deixe de oferecer o banheiro ao pequenino várias vezes ao dia. Após o início do controle, ainda leva de 5 a 6 meses para que se efetue. Deve-se adaptar o vaso sanitário para a criança e estimular a utilização assim que estiver fazendo uso efetivo do penico.
Nunca retarde a ida ao banheiro quando a criança pedir. Respeite seus limites e capacidades. A fralda noturna pode ser retirada quando a criança começa a acordar seca. Isso acontece logo depois do controle diurno. As fezes são controladas um pouco mais posteriormente.
 
Vida sem fralda
Prepara-se para encontrar a cama molhada no começo do treino da retirada das fraldas noturnas. Isso é normal. Entre os dois e cinco anos de idade, a criança não tem total controle esfincteriano e podem ocorrer acidentes. Evite oferecer líquidos antes da hora de dormir e leve a criança ao banheiro antes de deitar ou mesmo durante a noite.

Não puna ou castigue a criança por ter fracassado. Essa atitude só atrapalha o aprendizado da criança. Elogie sem exageros quando a criança obter sucesso. Muitas vezes poderá ficar sentada no penico e no vaso sanitário sem fazer nada e assim que sair urinar ou fazer coco na roupa. É normal, o controle esfincteriano está começando. Limpe a criança e faça tudo de modo natural

Meninos e meninas aprendem primeiramente sentados. Os meninos devem ser estimulados a fazer xixi em pé como o papai depois do controle já adquirido.
Algumas crianças regredirem nesse processo, pois podem querer chamar a atenção. Um motivo bastante comum para a regressão é a chegada de um novo irmãozinho.
Faça desse momento um período de trocas com seu filho. Dê muito amor e carinho. O único trabalho dos pais é criar condições para que o processo de aprendizado seja o mais descontraído possível



Meu filho está pronto para tirar a fralda?

Parece que foi ontem que você estava trocando aquelas fraldas minúsculas de recém-nascido, e agora já está pensando se está na hora de o seu filho largar a fralda de vez! Não existe uma idade certa para aprender a fazer xixi e cocô no penico ou na privada. Mais que a idade, é preciso prestar atenção nos sinais que a criança dá.

Só inicie o processo do desfraldamento quando seu filho mostrar que está preparado. Veja abaixo alguns desses sinais. Você não precisa ter marcado absolutamente todos para começar. Procure identificar no seu filho a vontade de se tornar mais independente.

Sinais físicos
Anda com firmeza, e até consegue correr.
Faz bastante xixi de cada vez (e não de pouquinho em pouquinho).
Faz um cocô razoavelmente sólido, em horários mais ou menos previsíveis.
Fica "seco" por pelo menos três ou quatro horas, ou seja, os músculos da bexiga conseguem segurar a urina.

Sinais de comportamento
Consegue ficar sentado na mesma posição por entre dois e cinco minutos
Consegue abaixar e levantar as calças.Fica incomodado quando a fralda está suja ou molhada.
Demonstra interesse nos hábitos de higiene (gosta de observar os outros irem ao banheiro ou quer usar cueca ou calcinha).
Não demonstra resistência à idéia de usar o penico ou a privada.
Está numa fase em que gosta de colaborar, e não numa fase "do contra".

Sinais cognitivos
Consegue seguir instruções simples, como "vá pegar aquele brinquedo".
Entende que cada coisa tem o seu lugar.
Tem palavras para xixi e cocô.
Entende os sinais físicos de que está com vontade de ir ao banheiro, e consegue pedir para ir (ou até segurar a vontade um pouco).


Desfraldamento: o que não funciona

1 - Começar antes do tempo
É verdade que não existe uma idade certa ou ideal para começar a tirar as fraldas da criança, mas a maioria começa a ficar pronta, em termos físicos e cognitivos, mais ou menos por volta dos 2 anos de idade (embora algumas só estejam preparadas bem depois de completar 3 anos).
Use nossa lista de sinais para saber se seu filho está ou não pronto. Ele não estava, você começou mesmo assim e nada deu certo? Não tem problema. Sempre dá para voltar atrás e consertar as coisas.

2 - Começar na hora errada
Dar início ao treinamento perto de o irmãozinho nascer, ou de uma mudança de casa ou de escola, qualquer coisa que altere muito a rotina da criança, não é uma boa idéia. Crianças pequenas vivem de rotina, e qualquer alteração é suficiente para bagunçar o mundo e a cabeça delas.
O melhor é esperar até a mudança já ter acontecido e a criança estar acostumada a ela. Se você já cometeu o erro e começou numa hora imprópria (e as coisas não saíram como você queria), pense se não vale a pena dar um tempo e tentar de novo quando tudo estiver mais calmo.

3 - Forçar a barra com a criança
Se seu filho começou a demonstrar interesse em abandonar a fralda, ótimo! Mas não faça pressão para que ele aprenda a fazer cocô e xixi no lugar certo. É duro segurar a ansiedade, mas você corre o risco de deixar a criança aflita e assustada, e tudo o que você não quer é que ela comece a segurar o cocô, o que pode levar a casos graves de prisão de ventre.
Vá avançando no ritmo da criança, passo a passo, devagar. É claro que você pode incentivá-la com livrinhos, histórias, idas ao banheiro, cuecas e calcinhas novas. Mas não force a barra se ela não quiser.
E não exagere nas ofertas: se você tiver de levá-la ao banheiro de hora em hora para não haver acidentes, quem está treinado é você, não seu filho! Bastará você esquecer de colocá-lo no penico ou na privada para o xixi escapar.

4 - Ceder aos palpites da família
A cada semana que passar vai ficar mais difícil, mas aguente firme: muita gente vai dizer que você está esperando demais para tirar a fralda dessa criança. Simplesmente ignore os palpites, e só tome a decisão de começar o desfraldamento quando tiver certeza. Lembre que para cada criança o momento em que dá aquele "clique" é diferente.
O jeito de tirar a fralda de uma criança mudou bastante nos últimos 40 anos, por mais que sua avó diga que sua mãe com 1 ano já não usava mais fralda nem mesmo à noite. Pesquisas demonstraram cientificamente que as crianças só começam a controlar os músculos da bexiga e do reto a partir de 1 ano e meio.
Quando ouvir esse tipo de história, prepare o seu melhor sorriso e diga: "Já temos tudo planejado, não há com o que se preocupar". (Converse com outros pais e mães nos nossos fóruns se precisar de uma força!)

5 - Castigar a criança pelos acidentes e escapadas
Dar bronca, ficar bravo ou botar de castigo porque a criança não está interessada no penico, recusa-se a sentar lá ou deixa escapar o xixi ou o cocô é um dos problemas mais comuns do desfraldamento, porque não dá resultado nenhum -- muito pelo contrário, pode retardar o processo ou causar problemas.
Os acidentes fazem parte do processo. Quanto mais bronca a criança levar, menos interessada ficará em aprender: ela vai ter medo de deixar escapar de novo e levar mais bronca. Outro efeito colateral é a criança começar a segurar o cocô, o que pode levar a casos graves de prisão de ventre.
Não é fácil manter a calma no meio daquela sujeira toda. Mas conte até dez e faça o que é preciso fazer para limpar a bagunça. Lembre-se de que é só por um tempo, e logo seu filho estará treinado.
Caso os acidentes estejam muito frequentes e você esteja com dificuldade de manter a calma, talvez seja o caso de voltar atrás e só tentar de novo quando a criança demonstrar real interesse.

http://brasil.babycenter.com/toddler/tirar-fralda/nao-funciona/
 
Postado por Rose*Lisa*Sarah em 19/08/10 na G1F