quarta-feira, 7 de julho de 2010

Seu filho é uma boa pessoa

l...] de facto, não sei para que serviria ter filhos, se não pudéssemos confiar neles.

CHARLES DICKENS, Nicholas Nickleby

Muitos especialistas, provavelmente bem-intencionados, falam-nos dos problemas comportamentais das crianças. Existem problemas de alimentação, problemas de sono, ciúmes, violência, egoísmo... Toda a gente nos fala dos problemas dos nossos filhos, como detectá-Ios, como preveni-Ios ou como solucioná-Ios, de como nos «manipulam» e a razão por que é preciso estabelecer limites. Ninguém nos lembra que os nossos filhos são boas pessoas.

E são-no. Têm forçosamente de o ser. Nenhuma espécie animal poderia sobreviver se os seus indivíduos não nascessem com a capacidade de adquirir o comportamento normal dos adultos e com a tendência para o fazer. Não é necessário muito esforço para ensinar um leão a comer carne e uma andorinha a voar para África.

O que é difícil, o que requer métodos de educação absolutamente aberrantes, seria conseguir um leão vegetariano e uma andorinha que não emigrasse. A imensa maioria dos recém-nascidos, quando criados adequadamente (isto é, com amor, respeito e contacto físico), serão crianças normais e, mais tarde, adultos

normais. O ser humano é um animal social e, por isso, a capacidade para amar e ser amado, respeitar e ser respeitado, ajudar os outros e obter ajuda dos outros membros do grupo, compreender e respeitar normas sociais (em resumo, ser uma boa pessoa) são aspectos normais da nossa personalidade. A educação esmerada, a religião ou a lei podem dar-nos outras coisas; mas não são imprescindíveis para se conseguir ser uma boa pessoa.

Os nossos antepassados, sem dúvida, já eram boas pessoas quando viviam em grutas, do mesmo modo que as galinhas são «boas galinhas» sem necessidade de escola ou de polícia.
o seu filho é desinteressado

Lama, de três meses, chora desconsolada. Mamou, tem a fralda limpa, não tem frio, não tem calor, o alfinete não a está a picar. A mãe pega-lhe ao colo, diz algumas palavras carinhosas e imediatamente Lama se tranquiliza. Volta a deitá-Ia no berço e ela começa a chorar.

- Não tem fome, não tem sede, não tem nada - dizem as más-línguas -, que raio quererá agora?

Quer a mãe. Quere-a a si. Não a quer pela comida, nem pela roupa, nem pelo calor, nem pelos brinquedos que lhe comprará mais tarde, nem pela escola particular onde a vai inscrever, nem pelo dinheiro que lhe deixará como herança. O amor de uma criança é puro, absoluto, desinteressado.

Freud acreditava que as crianças amavam a mãe porque dela obtinham o alimento. Esta á a chamada teoria do impulso secundário (a mãe é secundária, o que vem em primeiro lugar é o leite). Bowlby, com a sua teoria do apego, defende exactamente o contrário: a necessidade da mãe é independente da necessidade de alimento e provavelmente maior.

Por que razão não desfruta, como mãe, dessa maravilhosa sensação de amor absoluto? Sentir-se-ia melhor se o seu filho só a chamasse quando tivesse fome, sede ou frio, e passasse perfeitamente sem si quando estivesse satisfeito? Ninguém negaria a comida a uma criança que chora com fome; ninguém deixaria de abrigar uma criança que chora com frio. Deixaria chorar uma criança que o faz porque necessita de carinho?



O seu filho é generoso

Há pouco tempo, uma mãe, preocupada, perguntava-me quando deixaria o seu filho, de um ano e meio, de ser tão egoísta; quando aprenderia a partilhar.

Por que razão aprender a partilhar é algo de tão obsessivo para pais e educadores? Para que vai servir às crianças aprenderem a partilhar? Nós, adultos, não partilhamos quase nada.



Um exemplo: Isabel, que ainda não tem dois anos, brinca no parque com o balde, a pá e a bola, sob o olhar atento e carinhoso da mãe. Claro, como não tem mãos que cheguem, nesse momento apenas a pá está na sua posse, o balde e a bola encontram-se a uma certa distância. Aproxima-se uma criança desconhecida, mais ou menos da mesma idade, senta-se ao lado de Isabel e, sem dizer palavra, agarra a bola de Isabel. Há dez minutos

que Isabel não ligava à bola e, no início, continua a bater no chão com a pá. Tranquila? Um observador atento terá reparado que as pancadas são mais fortes e que Isabel vigia a bola pelo canto do olho. O recém-chegado,por seu lado, parece plenamente consciente de que pisa terreno perigoso; afasta a bola, observa o efeito, volta a aproximá-la... Para que não haja lugar a mal-entendidos, Isabel adverte: «É minha!» E vê-se obrigada a

especificar: «A bola é minha!» O intruso, que aparentemente não domina frases de três palavras (ousimplesmente prefere não se comprometer), limita-se a repetir: «Bola, boooola, bola!» Sem dúvida com receio de que estas palavras correspondam a uma reivindicação de propriedade, Isabel decide recuperar a posse plena da sua bola verde. O intruso não oferece demasiada resistência, mas, num descuido, consegue agarrar no balde. Isabel brinca durante uns minutos, satisfeita, com a bola recém-recuperada, mas logo se inquieta. E o balde? Mas onde iremos parar?

Podemos passar assim metade da tarde. Umas vezes Isabel cederá de boa vontade, durante alguns minutos, um dos seus brinquedos. Outras vezes, acabará por o tolerar de má vontade. Outras ainda, não o vai tolerar de todo. Por vezes, ela mesma oferecerá ao menino a sua própria pá em troca do próprio balde. Pode haver algum choro e gritos de ambas as partes; mas, em todo o caso, é provável que o seu novo «amigo» consiga bastantes momentos de brincadeira relativamente pacífica.

É muito possível também que ambas as mães intervenham. E aqui produz-se algo que nunca deixa de me surpreender: em vez de defender como uma leoa a sua cria, cada uma das mães se põe do lado da outra criança. «Vá lá, Isabel, empresta a pá a esse menino.» «Vamos, Pedrinho, devolve a pá à menina.» No melhor dos casos, as coisas ficarão por estas suaves exortações; mas, não poucas vezes, as mães competem em

generosidade (porque é fácil ser generoso com a pá dos outros!): «Vá lá, Isabel, se te portas assim, a mamã vai aborrecer-se!» «Pedrinho, pede desculpa agora mesmo ou vamos embora!» «Deixe-o, minha senhora, deixe-o brincar com a pá! Ela é uma egoísta...» «E o meu é terrível, tenho de estar sempre atrás dele, porque está sempre a aborrecer os outros meninos e a tirar-lhes coisas...» E, assim, acabam os dois de castigo, como pequenos países em conflito que poderiam facilmente ter chegado a um acordo amistoso, se as superpotências não tivessem intervindo.Cenas como estas, repetidas mil vezes, fazem com que por vezes consideremos os nossos filhos egoístas.

Nós sem dúvida que partilharíamos uma pá de plástico e uma bola de borracha. Mas será mesmo porque somos mais generosos do que eles ou são os brinquedos que não nos interessam?

É necessário colocar as coisas em perspectiva. Imagine que é você quem está sentada num banco do parque a ouvir música. Ao seu lado, sobre o banco, está a mala sobre um jornal dobrado. Nisto aproxima-se um desconhecido, senta-se ao seu lado e, sem dizer palavra, começa a ler o seu jornal. Pouco depois deixa o jornal (aberto e atirado para o chão!), agarra na mala, abre-a, olha para o seu interior... Será que a leitora saberia partilhar? Quanto tempo esperaria para dizer duas verdades ao desconhecido ou para agarrar na mala e sair a correr? Se visse passar um polícia ao longe, não o chamaria? Imagine agora que o polícia se aproxima e lhe diz:

- Vá lá, dê a sua mala a este cavalheiro ou aborreço-me. O senhor desculpe, mas esta senhora não sabe partilhar... Gosta do telemóvel? Telefone, telefone para onde quiser... A senhora cale-se, se continua a protestar, vai ver...

A nossa disposição para partilhar depende de três factores: o que emprestamos, a quem e durante quanto tempo. A um colega de trabalho poderemos emprestar um livro durante semanas, mas aborrece-nos que um desconhecido mexa no nosso jornal sem pedir licença. Só a um grande amigo ou a um familiar emprestaríamos o automóvel para ir passear. Uma criança pequena tem poucas coisas suas, e um balde, uma pá ou uma bola

são tão importantes para ela como para nós a mala, um computador ou uma moto. O tempo parece longo eemprestar um brinquedo durante uns minutos é tão difícil para ela como para o pai emprestar o automóvel durante alguns dias. E também é diferente quando se trata de amigos ou de desconhecidos, mesmo que não estejamos conscientes disso. Por exemplo, qual destas duas frases usaria a mãe de Isabel para resumir as

histórias que contámos?
a) Enquanto a Isabel estava a brincar na areia com um amigo, um desconhecido agarrou no meu jornal e quase me roubou a mala. Que susto!

b) Enquanto eu e um amigo brincávamos com a minha mala, um desconhecido tentou tirar a bola da Isabel.Que susto!


Claro que, do ponto de vista de um adulto, qualquer criança de dois anos, indefesa e inocente, é um «amiguinho». Mas quando se mede menos de um metro, um menino de dois anos é um desconhecido e pode mesmo ser «um indivíduo com intenções suspeitas».

Um exemplo final: Henrique, de vinte e cinco anos, não sabendo como acalmar o choro do seu filho de oito meses, usa as chaves do carro como se fossem um sino. O menino agarra nas chaves, sacode-as, olha-as, volta a sacudi-las. Uma menina de cerca de seis anos aproxima-se e brinca com ele: «Que lindo! Como se chama? Quantos meses tem?» (É uma dessas meninas precoces.) «O meu primo António também tem oito meses. Hoje

não veio porque tem uma otite.» «Olá, bebé! Que chaves tão giras! Dás-mas? Toma, dou-te esta bola em troca.» Henrique está encantado com a nova amiga do filho, até que a menina sai a correr com as chaves, deixando a bola como pagamento justo. Quantos décimos de segundo pensa que Henrique esperaria para correr atrás dela e recuperar as chaves? O menino partilhou, mas o pai não está disposto a fazê-lo.

Em comparação, os nossos filhos são muito mais generosos do que nós.


o seu filho é equânime

Quer dizer, tem tendência para manter um estado de ânimo estável. Em palavras mais simples, o seu filho não é nada chorão.

Como não, se passa o dia a chorar? As crianças pequenas, é verdade, choram mais frequentemente do que os adultos e por isso costumamos dizer que as crianças são choronas.

E se a verdade for simplesmente porque têm mais motivos para chorar? «Mas choram sem razão», dirá você. «Choram por qualquer disparate.» Choram, conforme a idade, porque caiu uma torre de peças de construção, porque não lhes compramos um gelado, porque os levamos ao médico, porque nos vamos embora durante cinco minutos, porque não encontram a mamã logo à primeira tentativa, porque lhes mudamos a fralda, porque lhes secamos o cabelo... Nenhum adulto choraria por causa dessas coisas, desde já.

E por que razão chora o leitor? Faça uma experiência: sente no colo o seu filho de um ou dois anos e falelhe das coisas mais tristes de que se lembrar: «Vão fazer-te uma inspecção das finanças», «Despediram-te do emprego», «Estão a aparecer-te uns pés de galinha horríveis», «A tua equipa de futebol vai baixar para a segunda divisão...» Ele não vai chorar. As coisas que fazem chorar os adultos e as crianças são completamente

diferentes.

Entre as coisas que fazem uma criança pequena chorar com maior frequência encontram-se:

- Separar-se durante uns minutos da mãe.

- Tentar fazer alguma coisa que não consegue.

- Notar algo de estranho e não saber o que é.

- Necessitar de alguma coisa e não saber como a conseguir.

Todas elas são coisas, para sua desgraça, que podem acontecer (e acontecem) várias vezes ao dia. Pelo contrário, as coisas que fazem chorar os mais velhos acontecem apenas de vez em quando. Por isso parece que somos menos chorões, mas não é verdade. Se a nossa equipa descesse à segunda divisão várias vezes ao dia, se

nos despedissem do trabalho todas as manhãs, se todos os dias morressem vários dos nossos melhores amigos, passaríamos também o dia a chorar.



O seu filho sabe perdoar

Emília e o filho, Óscar, de seis anos, tiveram uma grande discussão. Para não nos perdermos com os pormenores, digamos apenas que a mãe de Óscar queria que ele tomasse uma ducha e ele achava que estava perfeitamente limpo. Houve gritos, choros, insultos e ameaças. Uma testemunha imparcial iria reconhecer que a maior parte do choro veio de uma das partes do conflito e a maior parte dos insultos e das ameaças da outra.

Isso aconteceu há uma hora. Qual destas duas pessoas pensa você que está agora feliz e contente, e continua com as suas ocupações como se nada se tivesse passado, mostrando-se mesmo mais alegre e bajulador do que

habitualmente; e qual delas émais provável que esteja ainda aborrecida, fazendo censuras e resmungando?

«Olha mamã, olha o que estou a fazer.»

«Não, a mamã não acha graça.»

«Vamos ao jardim zoológico no domingo?»

«E tu achas que mereces? Achas que te portaste bem?»



Artur, o pai, regressa agora do trabalho. Qual das frases seguintes pensa que vai ouvir:



a) «A mamã foi terrível esta tarde, não imaginas a cena que

me fez. Tens de falar com ela.»

b) «O menino esteve toda a tarde muito impertinente, não

me obedeceu. Tens de falar com ele.»

Os nossos filhos perdoam-nos todos os dias dezenas de vezes. Perdoam sem fingimentos, sem censuras, até esquecer por completo o problema. Deixam de estar aborrecidos muito mais rapidamente do que nós.


O seu filho é valente Imagine que está à espera da sua vez no banco, quando entram uns indivíduos armados e com o rosto tapado. Dizem-lhe para se deitar no chão. Não o faz? Se lhe dizem que se cale, não se cala? Se lhe dizem para ficar quieta, não fica como uma pedra? Acha que uma criança de dois anos teria obedecido? Impossível.

Nenhuma força, nenhuma ameaça, nem sequer uma pistola a apontar para ela pode fazer com que uma criança de dois anos fique quieta durante meia hora, deixe de pedir para fazer chichi ou deixe de chorar quando está a fazer uma birra. Admire o seu valor, em vez de se fixar na sua «teimosia».

(...)

Postato por Marla em 07/07/10  na G1F

terça-feira, 29 de junho de 2010

Ser mãe é.... ouvir palpites!

"Quando nasce um bebê, nasce uma mãe... e uma legião de palpiteiros!" Já dizia uma amiga...

Começam quando você conta que está grávida: "devem ser dois...", "você está comendo pouco..."
No final da gravidez te enlouquecem: "sua barriga tá baixa...", "ainda não nasceu?"
E quando você conta que vai ter parto normal? "Você é louca? A medicina evoluiu tanto..."
Então o bebê nasce e você pensa que acabou? Nããããooooooooooo...
"Ele está com fome, melhor dar mamadeira", "cólicas? Chazinho melhora que é uma beleza", "dormindo na sua cama? Só vai sair com 10 anos..."

Enfim, todo mundo tem um pitaquinho para dar... e você pobre mãe fresca fica lá perdida com aquele bebê chorando e um monte de coisas na cabeça. Olha o peito, olha o bebê, pensa no NAN, pensa no chá, olha pra porta - será que se eu sair correndo ajuda?...
E nesse momento eu tenho um só pitaco para te falar: feche os olhos, respire fundo e busque dentro de você as SUAS respostas. Sim... porque a resposta da Marla, da Joana, você tem... mas as SUAS respostas, aquelas que irão guiar o desenvolvimento do SEU filho, só você tem.
Agarre as rédeas e vá para onde o seu instinto materno te levar, tome as suas próprias decisões (nem que para isso tenha que ouvir uma meia dúzia de pessoas e ler uns 30 tópicos)! Isso faz um bem danado pra gente! Faz a gente ir de formiguinha a leoa!

Minha sogra foi super solícita quando Pietro nasceu, ficou em casa comigo por 3 dias... eu apesar de extremamente agradecida, no quarto dia recusei solenemente e fiquei em paz, eu e meu filhote, ufa! E olha que ela nem palpitava.... mas eu queria chorar se tivesse vontade, dormir se tivesse vontade... eu precisava de espaço! Agora sei que no próximo sou eu e marido e Pietro e só... a gente aprende com o instinto materno...

Outro dia Pietro estava com tosse, e foi um festival de "leva no médico", "dá mel com gengibre" e outros blablablas. E eu repetia, repetia e repetia que levar no médico sem febre não precisa, que criança que parece bem está bem, que a inalação resolveria.... e? Resolveu! Sabe pq? Pq eu conheço o meu filho melhor que ninguém e meu coração estava calmo, dizia que era apenas a mudança do tempo, e eu me ouvi e não desesperei.

Estes são apenas episódios que exemplificam que livrar-se dos palpites é essencial, ouvir seu instinto tb e opiniões são sempre bem vindas quando solicitadas!

terça-feira, 15 de junho de 2010

E eu que não amamentei...aiaiaia...

Pegando carona no post da Quel... vou contar a minha história...

No dia em íamos ter alta na maternidade, era um sábado... o maldito pediatra de plantão demorou a passar a visita - nos outros dias ele havia passado no máximo as 8 horas, naquele dia eram mais de 9 e nada... e eu estava lá como leoa na jaula, de olho grudado no meu filho que estava no berçário aguardando o maldito pedi. Quando vi meu filho começar a chorar pelo vidro, eu pedi (ou ordenei?) a enfermeira que colocasse uma roupa nele e desse ele para mim! Gritei, chorei enfim... escândalos bem típicos de mim mesma...kkk nesse meio tempo a GO que ia me dar alta apareceu e buscou me acalmar, ela vinha junto com o pedi, ufa! Ela disse: venha, vou te examinar, nesse tempo ele olha o Pietro e logo ele vai pro quarto... olhei pro Pietro, não estava mais chorando, ok... me acalmei e fui pro quarto. Quando a enfermeira veio trazê-lo, a médica perguntou: ele está de alta né?! E a enfermeira: Não!

Ah, mulekeeeeeeeeeee... meu mundo caiu... desabei a chorar.. eu só pedia para a médica: sem ele eu não saio daqui!! E ela dizia, calma... vou resolver, calma...

2 longos e enormes minutos depois, a GO volta e conta que o pedi (sim, o maldito) se enganou...

ufa! enfim... entre mortos e feridos, salvaram-se todos e fomos pra casa.

Conto esse episódio pq eu acho que a minha "falta de leite" pode ter começado aí... um ocorrido de stress, enfim... chegamos em casa e o Pietro não dormiu mais! Por 24 horas ele mamava, mamava e mamava... cochilava por 5 minutos no máximo e mamava, mais e mais...
nos intervalos eu tentava ver se tinha leite e não saía nada... até que na madrugada ele passou a chorar sem parar fosse no peito, fosse no colo.... chorava, chorava...
e eu num momento de desespero, de pensar no meu filho tão novinho, enfrentando tanta coisa e ainda com fome... não me aguentei: vai na farmácia e compra NAN!

Desisti fácil? Talvez... hoje eu até acho que sim... mas naquela hora, naquele momento era o meu limite... o limite da família... ver meu filho chorando por horas a fio, eu não consegui... o fato é que com o NAN ele dormiu, 2 horas e pouco... depois acordou e foi pro peito... e fui complementando com NAN, sem deixar de amamentar nem que fosse um pouco...

Não acho que fiz O certo... mas digo que fiz o MEU certo.. fiz o que eu pudia para amamentar nem que fosse um pouco - chá, canjica, homeopatia, remédios... e amamentei até os 4 meses quando fui trabalhar - onde eu sabia que não teria tempo para ordenhar e o que ele mamava era tão pouco.. pena...

Hoje eu milito para divulgar a mulheres que como eu, podem um dia chegar no seu limite, que vale ter mais calma, mais preseverança, mais fé em si... vale insistir, vale amamentar sim!! Eu adoraria ter hoje o Pietro mamando, deve ser uma delícia! para os dois... quisera eu! Mas no próximo eu consigo... ah, consigo!!

Apesar disso graças a Deus e aos meus cuidados Pietro é uma criança extremamenta saudável, nunca ficou realmente doente e dificilmente pega gripinhas ou outra coisa... mas sei o pouco do meu leite que eu dei a ele contribuiu para isso... AMAMENTEM MENINAS!

É um ato de amor, perseverança... que vale a pena!!

Amamentação prolongada: o desmame e a desforra.

Na Foto: Apaixonada mamãe e Saroca mamando na festinha de 1 aninho.

Ponderando sobre o que escreveria nesse monoto finalzinho de tarde pós jogo do Brasil lembrei de quando amamentava minha prole...

Vencidos os 6 meses de amamentação exclusiva, segui batalhando com o mundo. É difícil entender como o mundo se ofende com a amamentação: Pediatra, mãe, avó, desconhecidos. Tive apoio mesmo foi de minha sogra e do marido, mas enfim, o mais difícil tem sempre um gosto melhor!
Confesso que sempre foi muito cômodo, levar o tetê pendurado é muito mais fácil que carregar pote de leite, mamadeira, esterelizar, lavar, secar, esquentar. E depois, quando sobra? Lixo!

Pois sim, sempre foi muito mais cômodo sacar o tetê em qualquer lugar, acomodar no Sling e deixá-la mamar com privacidade, como uma boa mamífera e adepta a amamentação.

Doamos leite sim, a uti tocou meu coração em se tratando da doação de leite materno, foi simples e o leite era suficiente para estocar, doar e amamentar. Lógico que para isso tive o suporte de uma bomba de ordenha elétrica que valeu cada centavo gasto.

Enfrentamos empedramentos quando, após um ano, voltei ao trabalho, mas vencemos e nos adaptamos, ficaram a mamada da manhã, a depois do jantar e as mamadas noturnas que eram eternas. Já mal acordava, e nesse ponto preciso confessar também que a cama compartilhada me ajudou muito. Ela mamava e eu dormia.

Mamava assim, deitada, largada, enchia a barriguinha e quando satisfeita dava as costas para mim e continuava a dormir. De fato essas mamadas noturnas compensavam a minha falta do dia, e analisando agora acredito que me sentia menos culpada dessa forma.

Tiradas as mamadas do dia, diminuíram-se as mamadas da noite. Final de semana era comida zero!!!!! A mãe por perto sempre foi sinônimo de mama. E posso, por assim dizer que até hoje, com quase dois anos e desmamada há 5 meses, continuamos na mesma ladainha sempre que me vê ela quer leite, mesmo sendo na mamadeira. Bom, mas manhas a parte, voltemos ao desmame... foi gradual até que por fim, minha mãe achou por bem me desmamar. Ah Sim, porque a desmamada fui eu não Saroca.

Foi triste, foi infinito, doeu, chorei e até hoje sinto falta. Sinto saudade daquele olhar que era só meu, do momento em que somente eu podia suprir a necessidade daquela bebê. Mas aconteceu!


Para ela, foi simples. Alguns dias reclamando. A primeira semana foi mais complicada. A segunda ela só pedia ao me ver sem roupa, e logo esqueceu. E Passou! Assim como todas aquelas fases gostosas, que pareciam infinitas, acabou-se! Amamentei por 1 ano e 6 meses, amei cada segundo, cada madrugada, cada mamada.

Hoje, saudosa me orgulho de ter insistido, passamos ilesas a resfriados, invernos e tudo mais.

Ela foi prematura, mas tem a saúde de ferro, graças ao Senhor Jesus que me deu muito, muito e muito leite materno!!

domingo, 28 de fevereiro de 2010

A maternidade prá mim

Não sou muito boa com palavras, mas vamos lá...



Sou o tipo de pessoa que curte muito viver, sempre quis aproveitar cada minuto da minha vida, e achava que um filho atrapalharia essa vida intensa que eu levava...

Achava que não levava jeito para ser mãe, que jamais acordaria com o choro de um filho, e sempre protelei a maternidade...

Um dia encontrei meu príncipe encantado, e brincávamos que quando casássemos e o Pedro chegasse... fariamos assim ou assado... o tempo foi passando, e eu colocando prioridades em minha vida, atrasando a chegada do Pedro... sim, SEMPRE SOUBE QUE SERIA MÃE DE UM MENINO, e que ele se chamaria Pedro...

Um dia, o relógio biológico deu sinais, e a vontade de ser mãe bateu, decidimos que era chegada a hora, naquele momento ou então atrasaríamos novamente a chegada dele... E assim fizemos, na 2ª tentativa engravidei, Pedro veio do jeitinho que sempre sonhei...e assim conheci a comunidade Grávida do meu 1º Filho e essas mães maravilhosas que hoje chamo de amigas...

Com elas aprendi a ser a mãe que sou, uma leoa se preciso for...

Acordei noites e noites para amamentar o meu rebento e ainda acordo quando necessário... Troquei as baladas, por noites calmas ...

Nunca tive muita paciência com certas coisas, mas por ele tenho toda a paciência do mundo... lavo, passo e cozinho por ele...

Me preocupo com a sua alimentação, com seu bem estar...

E digo a todo mundo que não tem coisa melhor do que um sorriso dele...

A maternidade traz ônus, mas o bônus é compensador...

A maternidade me transformou, hj quero um mundo melhor, para que ele cresça feliz, hj penso em educá-lo para que torne o mundo melhor.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

As voltas que a mente dá...

Desde muito cedo, lá pelos meus 7 ou 8 anos, eu decidi que teria uma menininha chamada Laura. Os motivos da escolha do nome foram, essencialmente, dois, que vou contar para vocês. Eu tenho uma tia, a qual costumava contar histórias para mim, quando eu estava com uns 3 anos, e as histórias, invariavelmente, tinham como personagem principal a menina “Laurinha” também de 3 anos, que fazia absolutamente tudo igual ao que eu fazia. A garota, nas histórias da minha tia, era uma peste. Mas eu, óbvio, adorava e me divertia com o meu alter ego. Quatro anos depois desta fase, fui apresentada a uma coleção de livros que, leitora voraz que já era, não consegui largar até completar a leitura do último livro. A coleção contava a saga de uma família colonizadora norte-americana, cuja personagem principal se chamava... Adivinhem? Laura Ingalls. Acompanhei avidamente o crescimento e a formação do caráter daquela menina independente, íntegra e firme em suas posições e ali decidi que teria uma filha e ela se chamaria Laura. Naquela época, nem me passava pela cabeça que poderia vir um menino! E, assim, os anos foram passando, a adolescência dando lugar à vida corrida, responsabilidades, faculdade, relacionamento, casamento, construção do lar, e os sonhos foram ficando para trás, esquecidos e renegados. Acabei desistindo de ter filhos, guardei todas essas histórias num lugar bem escondido da minha mente e segui em frente. Namorei 6 anos, casei, permaneci casada por uns 5 anos, sem mexer com essas emoções, até que, como acaba acontecendo com a grande maioria das mulheres, o relógio biológico começou a bater descontroladamente, diria mesmo que começou a gritar, e acabei mudando de idéia, reunindo a coragem necessária para ter um filho. As lembranças não vieram de imediato, e, devo confessar, nem fui eu quem sugeriu o nome Laura. Foi o pai quem o fez, sem saber de todas essas histórias. E isso só me deu mais certeza de que eu estava no caminho certo, de que toda a minha vida fora destinada a este momento, a ter uma filhinha conforme eu sonhava desde a infância, uma filhinha com os mesmos olhos grandes, firme, voluntariosa e independente, aberta e feliz com a vida, mesmo com todos os percalços. Como é bom vê-la, dançando sozinha nos bailes da vida, firme e segura de si, como só aqueles que sabem o que querem conseguem ser. E como é bom vê-la descobrir as coisas e crescer, para tornar-se a mulher que também ela está predestinada a ser, me enchendo de orgulho, como já o faz desde a tenra infância!

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

A mulher, a mãe, a esposa

Maternidade é uma desafio e tanto por si só... são duas pessoas estabecendo um vínculo sendo que as duas estão passando por duas das maiores transformações da vida de um ser humano (nascer e dar vida a outrem).


Na minha opinião a maternidade é o maior presente que uma mulher pode se dar, uma experiência única, transformadora e enriquecedora. Só que infelizmente (ou felizmente?) o mundo não para quando nos tornamos mães, permitindo que possamos curtir e nos adaptar a maternidade. Acredito que muitas como eu tinham a suprema vontade de que, ao voltar da maternidade, o mundo se resumisse a você e seu bebê... mas como eu disse não ocorre bem assim.


A maternidade nos coloca às voltas com uma palavrinha de que quando adolescentes (pelo menos eu) fugimos muito: equilíbrio, aliás eu acredito que essa seja uma das palavras chave da maternidade... é preciso aceitar e lidar com o fato de que sim, seu bebê nasceu mas o mundo continua a girar. Você ainda tem necessidades e vontades como tinha antes, seu marido continua sendo um homem que precisa se você e você também precisa dele, e somado a tudo isso você precisa cuidar do seu filhote...


É fácil? Não mesmo... mas basta um pouco de boa contade, muita habilidade para conseguir como uma boa malabarista, dar conta do recado. Sim mamãezinha fresca você pode fazer as unhas, você precisa curtir o marido, você vai querer comprar uma blusa nova... e não, isso não é crime!



Demorei um tempo para entender que o fato de ser totalmente devotada ao meu filho não me tira a vontade de estar bonita, me vestir bem, conversar com as amigas... filhos complementam a vida, ou seja vida não se resume a eles, mas sim neles. Como é bom poder olhar as minhas mãos e ver as unhas feitas, a pele macia... ter os cabelos bem penteados... só que realmente no começo a gente fica parecendo um espantalho...kkk... de pijama o dia todo, nem lembra que tem cabelo e unhas, para que servem mesmo? para roer! só pode ser!....kkk



O primeiro mês com um bebê tende a ser complicado pelos motivo que já expliquei acima, e realmente eu acho que dedicar-se ao seu filho nesse momento é mais simples e indicado... e nesse momento pode parecer que o mundo vai acabar, que nunca mais você voltará a ser mulher, que será eternamente a mãe do bebê... mas fique calma, a melhor coisa sobre o primeiro mês é que ele acaba...kkk... e com o tempo você e seu bebê irão se entender, ele irá se entender com o mundo, e você poderá voltar a fazer as unhas, olhar-se no espelho, virar mulher de novo.

E embora seja difícil temos sempre que nos policiar, porque marido merece a nossa atenção, os amigos tb e nós tb... e dar essa atenção a todos é benéfico para nós e acima tudo para o nosso bebê que tem uma mãe mais alegre, leve e feliz!

PS.: Peço desculpas se o post ficou confuso... foi interrompido algumas "par" de vezes...kkkk